#uma autora perdida em você
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queen-0f-death · 1 year ago
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Eu consegui lidar com tudo, mas ver você com outra pessoa me deixou muito mal e, com isso, não estou sabendo lidar.
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cheolcam · 1 year ago
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୨୧. head over heels - chenle
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꒰♡꒱ avisos: chenle × you | sugestivo, oral (m.), degradação, chenle frat boy playboyzinho red flag, e leitora meio ingênua (?), não revisado.
꒰♡꒱ notas da autora: inspirado nesse post maravilhoso que passou na minha tl hoje
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você é exatamente o tipo de garota que chenle procurava. bonita, burra e obediente.
aparentemente burra o suficiente para se aproximar dele, mesmo sabendo com quem ele anda. mas você não pode evitar, você se encantou pelo estudante transferido playboyzinho que te pediu uma informação alegando que ele não entendia a língua muito bem porque era chinês.
a partir desse momento você virou o alvo do zhong.
o chinês é metido, sempre de nariz empinado, selecionando muito bem com quem se relaciona. e assim que se juntou a neo frat, automaticamente se tornou um deles. a fama crescendo mais a cada dia, e apesar de tudo ele não liga nem um pouco.
chenle quase nunca aparece no campus, mas sempre que está lá dá um jeito de encontrar com você. sozinho ou com os amigos, ele percebe que você é obediente, que larga tudo quando ele chama o seu nome. e ele gosta. você é o novo brinquedinho dele.
você só precisa de algumas pequenas mudanças, tipo as suas roupas, mas nada que o cartão black do zhong não resolva.
"hm, não tenho certeza... me disseram pra vir nesse prédio." ele não esconde o sorriso de canto, se escora na viga e corre o olhar por seu corpo, parando no seus seios por alguns segundos e voltando para os seus olhos. "escuta, você não pode me dar umas aulas particulares? tô cansado de me perder nesse lugar... eu pago bem." o tom arrogante deveria ser um sinal de alerta, mas você sente dó, já foi a estudando estrangeira transferida e foi difícil, por isso aceita ser a professora do zhong.
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chenle parece fluente demais no momento, você o olha de baixo, a boca trabalhando no pau dele, se esforçando para conseguir a porra dele.
não sabe como caiu no papinho dele, ele é claramente fluente, isso, ou ele já treinou a dirty talk dele, porque porra...
ele puxa seu cabelo e afasta o pau da sua boca desesperada, ele tem um sorriso maldoso no rosto.
"cê foi feita pra mamar, né? putinha que é desesperada pra chupar um pau..." puxa o seu cabelo um pouquinho mais para fazer você olhar nos olhos dele. "é facinha pra caralho... e tão obediente, igual uma cadela." ele ri. "cadelinha... que tipo de garota você é hein? aceita mamar qualquer um assim?"
você não responde, perdida demais no momento, não consegue nem pensar direito, chenle conseguiu te deixar estúpida assim sem nem te tocar.
"não vai responder? awn, não consegue nem pensar? que dó, parece que foi realmente feita pra mamar o meu pau e nada mais..." o deboche é palpável. "ou você tá burrinha assim por causa do que eu prometi? quer tanto os sapatos assim? que se abaixa me chupa meu pau no carro... patética, tudo isso por um par de louboutins... mas se você deixar eu meter em você eu te dou mais do que os sapatos, o que cê acha?"
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kissgirly · 10 months ago
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Study Nights, Hendery.
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Gênero: slice of life/college au! smut.
Contagem de palavras: 2.3K
Esta fic contém: linguagem vulgar, dirty talk, fingering, um pouquinho de choking e creampie.
Notas da autora: eu sempre tô ressurgindo como fênix, né?kkkkk gente vocês tem que entender que preparar um comeback é difícil por isso demora tanto assim!!! (em outras palavras: tô trabalhando igual condenada e só quero descansar), mas apesar de tudo isso, trouxe o hendery mais uma vez pois sou obcecada! amo nerdola amo nerdola amo nerdola 🤓🤓🤓🤓
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Sendo sincera, de primeira não tinha se atraído nem um pouquinho por Hendery.
Não que ele não seja atraente, longe disso. Mas quando seus olhares se cruzaram pela primeira vez na área comum da faculdade, jamais pensaria que em pouco tempo estivesse nessa situação. 
De primeira, apenas pediu ajuda em matérias que tinha dificuldade. Mesmo sendo de cursos diferentes, ele como veterano já sabia muito bem dos problemas que estava passando assim que entrou no seu curso. Estava perdida, mas após o favor da tutoria do Wong, conseguiu ficar ainda mais perdida… Perdida nele.
Vocês se aproximaram naturalmente, mas logo a química bateu e logo começaram a ficar. Geralmente passavam os dias quietinhos na biblioteca ou no sofá da fraternidade de Hendery. Você em principal, prestando atenção em cada mania bonita do chinês. O jeito que arrumava os óculos, que jogava os fios lisos para trás ou o quanto ficava animado falando da sessão de rpg da semana passada. Mas em todos esses momentos sempre ficava perdida nos próprios pensamentos. Nunca foi de gostar muito das mesmas coisas que ele, não por odiar, mas por não entender absolutamente nada do que ele falava. Escutava de fundo os termos de nerdola e mesmo se tentasse muito, não entendia 1% do que estava dizendo.
Na sua cabeça, só se passava uma coisinha em todo esse tempo… “Caralho, que nerd gostoso!”. E mesmo quando ele estava estudando e te explicando a matéria, conseguia ser o homem mais gostoso do planeta.
E lá você estava, deitada na cama dele. No quartinho aconchegante da república que ele dividia com seus amigos, Xiaojun e Yangyang. O plano era estudarem juntos para a semana seguinte, mas assim que pegou nos materiais disponibilizados pelo professor, você já desistiu de tão cansada que estava. Encarava fixamente o rosto do garoto mesmo nem sabendo do que ele estava falando, sorrindo abobada.
Ele escrevia algo no caderno com a caligrafia desleixada, intercalando o olhar entre você, o caderno e o notebook. Vez ou outra, arrumava o óculos de leitura que escorregava sobre o nariz, jogando os cabelos grandinhos para trás.
E você não aguentava absolutamente nada disso. Era ilegal que um homem daquele existisse, injusto que ele teria que terminar a tarefa antes de te dar uns amassos. Era o cúmulo do absurdo que esse homem não percebesse ao menos o quão cheia de tesão você está simplesmente por encarar o chinês mais do que deveria. 
Se aproximou sorrateira, esfregando o rostinho sobre as coxas do homem, os olhos amendoados encaravam os detalhes bonitos do rosto bem marcado dele, apaixonada.
— Amor..? - Logo a visão borrada focou em uma coisa só, a cara de confuso de Hendery. Que num tom de preocupação, perguntou se você estava bem. Levando a mão para seu rosto, tocando as bochechas num carinho preocupado. O polegar passeava próximo ao seu queixo e você esperta como é, já acomodou a pontinha dele dentro da boca, os lábios rodeando as juntas e a língua tocando o dígito.
Ele ergueu uma das sobrancelhas, rindo soprado enquanto lhe encarava perplexo. Segurou suas bochechas com mais força, a trazendo para perto. 
— Eu achando que você estava precisando de ajuda… Que perverso da sua parte, linda.
— Mas… Eu preciso de ajuda, poxa… — A voz saiu num miadinho de tão dengosa, mordeu levemente o polegar dele, descarada.
— Não sei como ainda fico preocupado com você agindo como uma cadela.
As palavras te pegaram brutalmente, você não pode deixar de exibir o sorrisinho de canto que sempre dá quando apronta alguma coisa. Ele permanece fitando cada cantinho do seu rosto, com a expressão marcada em deboche.
— Você gosta, né? Imunda. Uma putinha imunda, isso que você é.
Um tapa foi desferido contra a bochecha direita, tão forte que poderia sentir a pele ardendo. Mas ele sabe que mesmo sendo forte, você não iria reclamar. Nunca iria. Ele sabe mais do que ninguém como exatamente deve tratar uma vadia como você. 
As mãos grandes de Hendery deslizaram sobre tuas curvas, com certa força te puxando para perto dele. Os olhos puxados analisaram bem cada parte do teu corpo, ele era possessivo, e sabia bem que mesmo sem uma aliança do dedo, gostava de demarcar território. E logo logo seria completamente dele. 
Os lábios finos foram em direção ao seu pescoço, deixando uma trilha de beijos molhados na área sensível. Suspiros foram tirados de você sem esforço, ele sabia bem como te tratar e você em pouco tempo já estava completamente mole pra ele.
— Me diz, minha linda… Como vai conseguir estudar dessa forma? Como irá prestar atenção nas matérias se pensa tanto em mim feito uma cadela burra? 
— Eu… eu… 
As palavras lhe faltaram, um suspiro dengoso deu lugar a boquinha entreaberta que não conseguia pronunciar palavra alguma.
— Eu mal te toquei e você já está assim? Não tem vergonha, minha linda?
Se encolheu toda sobre a cama, tímida.
— Me responda, não seja patética.
— Eu sei que você gosta, Hendery. Não adianta negar… — A resposta na ponta da língua saiu como um sussurro, um risinho demarcando o cantinho dos seus lábios.
— Garota sem vergonha.
Foi tudo que disse, antes de retirar as peças de roupa que te cobriam, deixando apenas a calcinha fina com o tecido molhadinho, marcado pelo tesão. 
Os lábios afoitos do homem foram direto em direção aos teus seios, Hendery não escondia a devoção que sentia por eles. Eram magníficos aos olhos dele, tão esplêndidos que não poderiam ser apenas apreciados com a visão. Precisava tocá-los, beijá-los até ficarem marcados. Com o biquinho sensível e dolorido de tanto mamar, o que não poderia colocar na boca passou a brincar com a destra inquieta. Apertando o seio e brincando com a auréola, passando a pontinha do indicador e apertando o biquinho vez ou outra. 
Um gemido escapou dos teus lábios, as mãos agora se apoiavam nos ombros do chinês. Apertando de leve, enquanto as coxas se pressionavam uma com a outra, criando certa pressão sobre o íntimo. Até sentir a boca desesperada de Hendery descer os beijos cada vez mais, dando chupões sobre o abdômen até chegar ao monte vênus. Beijando por cima do tecido, apenas para provocá-la. Você sabia o que ele queria e ele não iria te dar nada enquanto você não pedisse. Espalhou beijos sobre o interior das coxas, encarando seu rosto com os olhos afiados e o sorriso quase maléfico.
— Você sabe o que tem que fazer, não sabe?
Ditou o chinês quase num sussurro, usando a pontinha dos dedos para tocar o íntimo, dedilhando a calcinha.
— Dery… Amor… 
— Não é assim que se pede, garota. 
O dedilhar ficou mais arteiro, intenso. Fazia quase como uma cosquinha, era tão canalha que cada pequeno movimento era extremamente certeiro. 
— Por favor, Dery… Me fode, amor…
— ‘Cê não me convenceu tanto assim não, sabia?
E com a fala, teus lábios foram tomados por um biquinho irritado. Um choramingo manhoso, estava mesmo necessitada.
— O quê eu preciso fazer, hein? Amor… não seja malvado comigo, sim? Não vê que estou encharcada pra você?
— Precisa de mais do que isso para me convencer, cadelinha. Mostra o que ‘cê sabe fazer.
Moleque atrevido pensou. Meio impaciente, empurrou o corpo dele contra o colchão de forma que nem mesmo você saberia dizer de onde vinha tanta força, o chinês riu de maneira surpresa, você não perdeu tempo em retirar a peça que ainda lhe cobria e subir no colo dele. Retirou os óculos dele, colocando sobre a mesinha de cabeceira e logo foi sentando exatamente sobre o membro, coberto pelo short Tactel que usava apenas para ficar em casa. Apoiou as mãos uma de cada lado do rosto dele, esfregando o íntimo sobre o tecido. Deixando a marquinha de excitação molhada bem ali. 
— Será mesmo que não consegue ver? Eu preciso de você, Hendery. 
O tom saiu firme, apesar da situação te deixar mais dengosa que o normal. Ia levando a destra para o próprio íntimo, mas logo foi interrompida. “Nananão…” Ditou o homem antes de levar os próprios dedos para a buceta molhada. O médio e o anelar adentraram devagarzinho, você suspirou e fechou os olhos, apoiando as mãos atrás do próprio corpo e passando a rebolar sobre os dígitos. A outra mão de Hendery pousou em sua cintura, apertando com certa força, de maneira quase possessiva. Ele metia os dedos e puxava seu corpo para mais perto.
Conseguia sentir o volume aumentando por dentro do short, praticamente salivou só de pensar em tê-lo dentro de si. Quicando contra os dígitos e deixando arfares dengosos escaparem. Sabendo muito bem dos efeitos que causaria no Wong, que de forma impaciente, afastou teu corpo apenas para abaixar o short junto com a boxer, deixando o membro escapar, saltando para fora. Um sorriso malicioso pendurou sobre os lábios de Hendery, que logo ousou pincelar a glande sobre o íntimo. Brincando antes de meter tudo lá dentro, puxando sua cintura para baixo e fixando o olhar no seu.
— Eu adoro te provocar, puta merda… — Ele sussurrou.
Você por outro lado, mal conseguia responder. Se concentrou apenas no formigamento gostoso que o pau enterrado lá dentro conseguia te fazer sentir. Rebolava devagar para se acostumar, não era tão grosso, mas em compensação era grande até demais. O que sempre te fazia ficar acabada depois de tudo. O canalzinho estreito apertava a extensão, Hendery arfava e apertava sua bunda com força. Passou a quicar sobre ele, Hendery sentia-se cada vez mais nos céus com a sensação. Mordeu os próprios lábios e tombou a cabeça para trás. Era prazeroso só de encarar as feições do chinês para cada movimento que fazia.
— Gostoso, amor? — Sussurrou, vendo o homem engolir seco e dando um sorriso. O som da pele batendo uma contra a outra ecoava sobre o quartinho. Torcia mentalmente para que nenhum colega de Hendery resolvesse voltar para casa para ouvir tamanha perversidade. 
As palavras mais sujas saiam de ambos os lábios, você por sua vez, gemendo o nome de Hendery e choramingando com os movimentos. Forçava os olhos a ficarem abertos para encarar bem as feições do chinês. Era uma verdadeira perdição, o rosto levemente rubro e as pequenas gotículas de suor que se resultam do corpo quente, os lábios rosados de tanto mordiscá-los. 
Quando achava que Dery não poderia ser mais perfeito, ele ajeita seu corpo sobre o colchão, deitada de barriga para cima. Trocando as posições e segurando suas duas pernas para cima, teus olhos já se mantinham perdidos, ora encarando o rosto dele, ora encarando apenas o teto. O baixo-ventre que queimava em tesão se aliviava conforme ele entrava no íntimo novamente. Grunhindo e descendo uma das mãos para seu pescoço, dando um leve aperto ali. Começando os movimentos de forma habilidosa, metia de forma consistente indo bem fundo. Arrancando mais gemidos sôfregos da sua parte.
“Tão quente, porra” murmurou ele, impaciente o suficiente para aumentar os movimentos gradativamente. Sendo mais agressivo que antes. Espalmava a mão sobre o bumbum, e apertava a carne entre os dedos. Encarando bem o rostinho de sua vadia favorita. 
— Cadelinha patética… — Ditou antes de levar um dos dedos ao clitóris inchadinho, onde passou a rodear o pontinho. Você revirou os olhos mais uma vez, abrindo a boca em um perfeito ‘o’. Passou a choramingar mais alto, com as pernas estremecendo e a buceta pulsando, estava perto de gozar para o homem, que socava sem dó. 
Posicionou suas pernas ao redor da cintura dele, seus braços se mantinham ao redor do pescoço. Os corpos praticamente grudados vibrando em puro tesão, sentia que ele também estava perto. Sorria travessa, apertando o homem dentro de si, sussurrando para que pudessem gozar juntos, sentirem os líquidos se misturarem de forma gostosa. 
Ele levou uma das mãos para seu rosto, alisando a bochecha com um sorriso nos lábios. Pequenos fios de cabelo grudavam na testa suada, Hendery encarava seus olhos fixamente com um sorriso calmo, puxando para um beijo lento. Para finalmente, gozarem em conjunto, com o beijo abafando os grunhidos que ambos emitiam. Ele agora era mais delicado e romântico, deixando selares molhados nos teus lábios e abraçando seu corpo. A buceta atoladinha pulsava em volta do membro, arrancando suspiros dengosos do chinês. 
— Lotada, princesa… — Sussurrou, arrancando um riso baixo da sua parte, que deitou sobre o peitoral e abraçou o corpo de volta. — Confesso que acho muito melhor do que estudar.
— Não era você o certinho, Dery? 
— Era, mas sabe como é… Preciso esfriar a cabeça às vezes, sabe?
Você revira os olhos, curvando os lábios em um sorriso largo. Relaxando completamente o corpo e finalmente descansando após uma longa noite.
— É, eu sei… Bom, eu acho que sei.
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notas finais: ainda me sinto meio enferrujadaKKKKKK mas foi isso mores! delírios noturnos enquanto tento não surtar. qualquer feedback/comentário podem me mandar nas asks! kisses <3
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idollete · 11 months ago
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– 𝐭𝐞 𝐝𝐚𝐫𝐞́ 𝐥𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐧𝐞𝐜𝐞𝐬𝐢𝐭𝐚𝐬  ⋆ ˚。 𖹭
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𝑤arnings: conteúdo exclusivo para +18.
ೀ ׅ ۫ . ㅇ esteban!colega de faculdade; estudantes de artes cênicas (teatro); fem reader!atriz; mirror sex; spit kink; creampie; degradation (uso de ‘putinha’); face fucking; choking; cum eating; sexo desprotegido (pero não pode, chiquitas!!!!!); doggy style; sex in a public place (?); manhandling; oral (masc.).
notas da autora: tenho pensamentos muito sórdidos com ele, alguém me arranja uma camisa de força, pfvr [ meme do coringa ] 
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– Devora-me. Toma para ti o meu corpo. Me possua até que deste pecado…Possamos…Possamos…Argh. 
Havia perdido a conta de quantas vezes repetiu aquela linha e travou no mesmo ponto. Com a cabeça latejando, pensava nas diversas e mais criativas formas de esganar a sua amiga por ter te convencido a pegar uma disciplina com um professor que adorava coisas inusitadas. 
Vai ser legal, vamos! Ele é super descolado. Com uma semana de aula estava arrependida, o professor parecia ser clinicamente insano. Agora estava presa a um maldito monólogo sobre libertação sexual. Precisa demonstrar prazer. Eu quero ver o tesão queimando esta sala. Queria mesmo era queimar o professor. 
Veja, não tinha absolutamente nada contra a liberdade poética, muito menos contra o sexo, mas não parecia haver um resquício de tesão no seu corpo, nenhuma vontade. A falta de “emoção” na sua vida recentemente com certeza era a razão de estar empacada em algo que tiraria de letra. 
Era uma boa aluna. Uma ótima atriz. No entanto, não existia fogo para aquele monólogo. O que era uma merda, porque você precisava da nota. E o fracasso jamais seria uma opção. Por isso, pegou o celular e mandou aquela mensagem. Era isso ou nada. 
Vc tá na facul? Preciso d ajuda. Tô na sala 305. Vem rápido. 
Esteban Kukuriczka: Oi, chiquita, boa tarde! Tudo bem? ;) Subindo. Chego em 6 minutos. 
Suspirou, observando o próprio reflexo, ajeitando rapidamente as roupas e passando um pouco de gloss, até porque era o Esteban. Conhecido por ser simpático com toda e qualquer criatura viva, Esteban era o seu veterano. Na primeira semana de aula, em uma daquelas dinâmicas de boas-vindas, acabaram sendo colocados juntos e ele se tornou uma espécie de “mentor” ao longo do curso. 
Sabia do talento do homem, afinal, ele tinha as melhores notas da turma, era o queridinho dos professores e ainda era o cara mais humilde do campus. Ah, e o mais atraente também. Que homem! É claro que tinha uma quedinha por ele, quem não tinha?! Mas nunca tentou nada, não queria arriscar perder a ajuda sendo uma caloura e estando perdida no curso. 
– Ei! Terra chamando, Terra chamando. 
Estava tão distraída que nem percebeu quando ele entrou na sala e parou diante de ti, estalando os dedos para chamar a atenção. Balançando a cabeça, cumprimentou-o com um sorriso nervoso. 
– Oi, Kuku! 
– Ey, chiquita! ‘Tava pensando no que, hein? Distraída desse jeito. 
Em você, mais especificamente em cima de mim. 
– Ahm, em nada. Na verdade, em algo. Estava pensando que eu vou reprovar em Oficinas de Teatro. 
Abusou do seu semblante mais desesperado para convencê-lo de que precisava daquela ajuda. Esteban sempre lhe ajudava com ensaios, com dicas, com trabalhos, com tudo que pedia.
– Qué pasa, eh? O que o professor inventou dessa vez?
Nem se deu ao trabalho de responder, apenas entregou o papel com o texto que deveria ser apresentado. Esteban lia com atenção, o cenho franzido em concentração lhe cativava, a maneira com que ele sempre se debruçava sobre todos os papéis era encantadora. De repente, a expressão se tornou confusa, não entendia qual era o problema ali, sabia que era uma excelente atriz e já havia performado peças parecidas. 
– Você sabe fazer isso. Aliás, você já fez isso antes. Qual o problema agora?
– Eu não sei! Não sei, mas tem alguma coisa errada comigo. Olha só…
E com isso tentou novamente recitar as linhas que, a essa altura, já sabia de trás para frente na sua mente, mas saíam vazias dos seus lábios. Esteban assistiu tudo com a atenção de sempre, não desviava os olhos de ti. 
Quando finalizou com um suspiro cansado e já pronta para chorar, ele apenas sorriu para ti daquele jeitinho que parecia te abraçar e dizer não se preocupe, eu estou aqui. 
– Viu, Kuku? Falta alguma coisa! 
– Te falta paixão, chiquita. Te falta lujuria…
Você já sabia disso, mas ouvir de Esteban era diferente. A maneira com que ele falou te fazia sentir um arrepio subir pela espinha. Engoliu em seco, sentindo-se quente. E o pedido inesperado revirou o teu estômago por completo. Quero que fale de novo, vai falar para mim dessa vez. 
Fácil, né? Você conseguia recitar um monólogo para o cara mais gostoso do curso pedindo para que ele te devorasse, certo? Errado. 
Ao tentar falar a terceira frase percebeu que não daria certo, não enquanto ele te olhasse daquela maneira tão profunda, como se realmente desejasse te possuir de todas as formas possíveis. Embolava as palavras, perdia o embalo do momento e demorava mais que o necessário para prosseguir. Esteban te interrompeu quando cometeu o quarto erro e te disse para fazer melhor. E você errou novamente. 
– No, no. Mírame, é assim. 
Esteban recitou para ti o monólogo e o seu interior acendeu, você ardia enquanto ele te encarava com gana, sabia exatamente o que aquele olhar te dizia. Esteban te seduzia, te tomava com as palavras, te fascinava. Entre um trecho e outro, o limite entre atuação e realidade se tornou muito tênue, até que ele deixou de existir. 
O silêncio parecia gritar no salão quando ele terminou, ambos presos em uma troca de olhares que dizia muito. Soltou a respiração que sequer notou que estava segurando, não sabia o que dizer, nem como agir. 
– Precisa sentir o que está falando, precisa sentir aqui… – Disse, pegando tua mão e levando ao próprio peito acelerado. – E precisa sentir aqui… – Ousando, ele levou a palma até o teu ventre, mantendo a dele sobre a tua. 
– Me ajuda a sentir. 
Ele sorriu de canto, aproximando-se até que estivessem grudados, as respirações em um choque afoito. Rodeou a tua cintura, firme, te dominando aos poucos. 
– Ah, mi nena. Te daré lo que necesitas. 
Esteban te beijou. Não. Ele te devorou, ele te mostrou o que cada uma daquelas palavras queriam dizer e te deu o calor para dizê-las também. Suas mãos se agarravam aos fios bagunçadinhos, desciam sobre os músculos dos braços, ao mesmo tempo em que Esteban te apertava nas coxas, na bunda, fazendo questão de demonstrar o quanto te queria. Lentamente, mordiscou o seu inferior, te pegando no colo, pressionou um quadril no outro, te fazendo sentir a ereção pesada contra o intímo coberto.
Desceu em beijinhos molhados pela derme macia, inalando o cheiro dele, o cítrico do perfume que mascarava a nicotina era inebriante. Te fez suspirar, rendida. Esteban…
– Quero te chupar. – Desinibida, revelou enquanto o encarava, recebendo em resposta um olhar nublado de luxúria. 
Rapidamente se colocou de joelhos, a figura imponente de Esteban parecia não caber na sala e ele sabia disso. Te olhava, vaidoso, acariciando seus fios a princípio, deixando que você levasse o seu tempo ao se livrar da calça, amarrotada junto à cueca e a camisa jogada em algum canto. 
O caralho te fazia salivar, cheia de vontade de deixar tudo babadinho, acolher na boquinha, agradá-lo. No tamanho ideal e grosso o suficiente para te deixar cheia. Plantou um selar na pontinha, deixou um fio de saliva escorrer até a base. Brincou o quanto queria até Esteban tomar o controle da situação. 
Bruto, te puxou pelos fios até vergar tua cabeça para trás, dava batidinhas nas bochechas com o pau, esfregava a cabecinha nos seus lábios. Te ordenou abrir a boca. Abre essa boca. Só pelo prazer de cuspir ali. Engole. E você obedeceu. 
Porra, isso deixava Esteban louco. Finalmente te ter daquela forma, tão suscetível a ele, às vontades dele. – Se eu soubesse que você era tão putinha assim, teria tomado uma atitude bem antes. 
Deslizou metade do comprimento, lentamente se movendo contra os lábios, você, com a garganta relaxada, subiu os olhinhos até o rosto masculino que se contorcia em prazer, apoiando as mãos nas coxas. A carícia que antes recebia se tornou um aperto que lhe controlava, comandava o quanto você engolia.
Te levou até o fim, encostando o nariz na virilha e xingando quando te ouviu engasgar. Fincou as unhas nas coxas masculinas quando Esteban começou a pegar ritmo, fodendo a sua boca como se fosse apenas um buraquinho para satisfazê-lo, egoísta, te fodia como ele precisava. 
O pulsar entre as pernas e o remexer inquieto do quadril diziam o quanto aquele momento te excitava, ser usada por ele daquela forma. Sentiu como se estivesse sendo recompensada quando Esteban deixou a porra dele na sua boca, gozando enquanto dizia que essa sua carinha de quem gostava de implorar por pica deixava ele louco.
Os lábios foram tomados em um beijo faminto, os corpos estavam deitados no chão da sala espelhada em instantes, Esteban por cima de ti, arrancando suas roupas, marcando teu colo com a boca até alcançar os seios, as palmas se fecharam em torno deles, apertando-os com força. 
Elevou o quadril, esfregando a buceta ensopada contra o caralho duro, causando uma fricção tão gostosinha que te fez revirar os olhos, chamou o argentino, envolvendo a cintura com as pernas em um pedido desesperado para sentir mais, para ser preenchida. Queria ficar cheinha dele, ser fodida de verdade, devorada mesmo. 
Dos lábios entreabertos escapavam gemidos cheios de dengo, perdendo-se em meio aos estímulos nos mamilos sensíveis, ora mordiscados, ora sugados. A palma masculina desceu por todo o tronco, te tocando onde mais precisava, se esfregou ali, contornou a entradinha, fez que entraria, te provocou.
– Tão bom… – Suspirou, moendo o quadril contra os dedos. 
– Bom, eh? Ficou molhadinha assim só de me mamar. – A voz carregava um quê de arrogância, agindo com superioridade. – Que sucia, chiquita. – Cínico, acenou em negação. Esteban se colocou de joelhos entre suas pernas, bombeando o pau teso enquanto te encarava, assimilando cada detalhe teu. – Mas quero te sujar mais ainda, sabe? – A visão do argentino entre as suas pernas, se tocando, sendo tão sugestivo daquele jeito aumentava a quentura em todo o teu corpo. – Quero te sujar como fiz na sua boquinha, mas bem aqui… – Das pernas, alcançou seu pontinho, queria te sujar ali. – Vai deixar, hm? Ficar com a bucetinha suja com a minha porra. Quieres, cariño? 
Você deixaria Esteban fazer qualquer coisa contigo se ele usasse aquele tom mansinho para pedir. 
Por isso, concordou. Abriu mais as perninhas, se expondo para ele, ganhando um sorriso repuxando em resposta, seguido de um gemido arrastado. Vira. Com um único comando, Esteban te fez virar de costas, apoiada em seus joelhos e empinada para ele. Se arrepiou por inteiro quando a pontinha babada pincelou a sua entrada, chiando quando foi preenchida. 
Esteban tinha o cenho franzido, fissurado em observar o pau sumindo dentro de ti, e você se encontrava hipnotizada por ele, olhando através do espelho todas as suas reações; o jeitinho que os lábios finos se abriam, o peito subindo e descendo, o pomo de Adão quando tombava a cabeça. 
Foi pega no flagra, sorrindo tímida ao notar que ele também te encarava. Abandonou o seu interior apenas para meter em ti de uma vez só, deslizando uma das mãos por toda a sua espinha, alcançando seus fios, te domando. 
– Gosta disso, hm? Gosta de me ver te fodendo, nena? – Acenou, tontinha pelo prazer, arrepiada pelo ato tão depravado.
Esteban te deixava entorpecida, a maneira com que metia do jeitinho perfeito, alcançando o seu ponto mais sensível, apertando a tua bunda, maltratando sua carne, como não poupava nos gemidos. 
As peles se chocavam, causando estalos barulhentos pela sala, sons que se misturavam com os gemidos de ambos, a respiração pesada de Esteban arrepiava todos os seus pelinhos, especialmente quando ele te puxou, grudando o peitoral nas suas costas. Ele deixava beijinhos no teu pescoço, fascinado pelo reflexo da tua silhueta, na maneira como os seios balançavam, no teu rostinho contorcido em prazer. 
A destra masculina escorregou até alcançar o seu clitóris, você espremia o caralho, fazendo Estevan gemer melodioso no pé do teu ouvido. Os estímulos te deixavam em um estado de euforia, o coração acelerado e os murmúrios cada vez mais desconexos anunciavam que seu limite estava próximo. 
Abriu a boca em um grito mudo quando finalmente alcançou o orgasmo, sentindo Esteban investir com ainda mais vontade em busca do seu próprio prazer. Repetia o nome dele como uma prece, esticando os braços até tocar os fios loiros, gemendo em puro dengo quando a porra quentinha encheu o seu interior. 
– Deixa tudo bem guardado aí, chiquita, vai te dar inspiração para se apresentar direitinho.
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allebasimaianunes · 2 months ago
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Oração.
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nota da autora: SEM REVISÃO. continuando essa historinha, agora começamos a aprofundar nos sentimentos e pensamentos dele e de Maria.
aviso de conteúdo: tá levinho esse.
contagem de palavras (no total): 4640 palavras
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"Olhos de Jabuticabas"
PARTE IV
Consternado.
Era assim que Charlie sentia ao chegar em casa após aquela Santa Missa. Seus olhos estavam injetados de ira e tristeza ao deparar-se com a realidade. 
A crueza da verdade o perturbava como um demônio pinicando seus pensamentos, o fazendo se lembrar de dias do passado que não voltam mais – de tempos nefastos onde o pecado fez moradia na sua carne. Agora, sozinho como de costume na casa paroquial, indo de um lado para o outro naquele maldito quarto que fedia ao perfume dela, impregnado nas paredes das lembranças dele, Charlie ptomava consciea que o pecado se fez vivo em carne. 
Ele precisava conversar com Maria. Era uma questão de vida. Sua reputação e seu legado estavam em linha de risco agora. Suspirou fundo, começou a contar até dez, mas a cada número que tentava contar, era uma memória perdida voltando com socos contra sua mente. Parou, levou as mãos até a cabeça, segurando-a como se assim ele contivesse os pensamentos tumultuosos que confundiam a sua razão. A melhor forma de tirar a questão à limpo a história toda seria indo atrás de Maria. Ponto final. Por sorte ainda era dia lá fora, um belo domingo ainda lhe restava, talvez conseguisse achar onde Maria morava por meio do bom e velho pitaco com os fofoqueiros de plantão da comunidade. Vestido de preto dos pés às cabeças, ainda com seu uniforme de pároco, ele passou no banheiro para realinhar os cabelos volumosos no clássico topete que gostava se usar, alinhou a clérgima no pescoço, se encarou profundamente no espelho enquanto dava uma rápida escovada nos dentes para refrescar o hálito seco. 
Murmurou para si mesmo:
— Você só vai descansar quando souber de toda a verdade, Charlie. 
Saiu num impulso, obstinado com o que poderia encontrar por aqueles sinuosos caminhos.
O portãozinho branco de metal foi aberto pela mulher de meia-idade, cabelos grisalhos curtos, vestido modesto no corpo magro, um cardigã rosa-escuro de lã cobrindo-lhe os ombros. Um sorriso amistoso fazia com que as linhas de expressão acentuaram no seu rosto, sua voz era um tom de surpresa:
— Padre Charlie! Há quanto tempo meu filho! Entra, entra — gesticulou para que ele entrasse na pequena varanda da sua casa: — a que devo a sua visita nessas horas de um domingo?
— Tava de passagem pelo bairro, então resolvi parar aqui para tomar aquele cafezinho que só a senhora sabe fazer… Se não for pedir muito!
— Que nada! Você sempre será muito bem-vindo na nossa casa Padre! — A mulher respondeu sorridente, colocando uma mão gentil no seu ombro, o guiando pelo caminho de pedrinhas até a porta da sua casa aberta: — E você chegou na hora! Acabei de passar o café!
— Eu faregei a quilômetros! — Brincou o homem tentando manter o bom-humor, mascarando as dúvidas se Maria estaria ali. 
A sala da casa dos pais de Maria continuava a mesma coisa pelas vagas memórias do homem: pequena, tipicamente familiar, tinha uma parede repleta de quadros pendurados com fotos da família – entre os rostos, o inconfundível semblante de Maria, desde quando era uma bebe até adulta, estava espalhada pelos cantos, misturados entre fotos de seus tios e avós. Um raque enorme com uma televisão grande, cheio de quinquilharias desde estátuas decorativas, até aparelhos de vídeos ultrapassados juntavam poeira, dois sofás com um pano azul e almofadas feitas com retalhos de malha, o mesmo padrão dos tapetes ovalados davam uma mistura de cores vibrantes, contrastando com o azul-claro e o piso de cerâmica bege do cômodo. Pelo corredor podia ver a cozinha do outro lado através do arco. 
Charlie conhecia cada cômodo dali: no corredor pequeno, à direita ficava o quarto de Maria, consideravelmente grande, com uma cama de casal e móveis de madeira que eram de uma tia dela, antigos porém intactos. Lembrava até do cheirinho de maciez e flores que sua roupa de cama tinha. Já no canto esquerdo, a porta do meio era para o banheiro simples com vaso sanitário e pia em cerâmica branca e uma banheira com um chuveiro feita de ladrilhos verdes. O último quarto era dos pais dela. Na cozinha havia uma porta que dava para os fundos da casa: um pedaço quadrado onde ficava o varal, uma cabaninha que servia de casinha dos acúmulos, e uma pequena horta que sua mãe cultivava. A casa tinha aquele mesmo cheirinho que ele sentiu na última vez que esteve ali: café coado na hora, amaciante suave e desinfetante de capim-limão. Sorriu nostálgico. Nem se ele quisesse, ele conseguiria reproduzir exatamente aquele cheirinho de casa de família que Maria tinha quando vinha aos seus braços diretamente da casa dela.
Ele amava aquele cheiro, sentia ele apossar de seu coração e abraçar sua alma. 
— Sente-se e sinta-se à vontade, Padre! Vou trazer nosso café… Aceita algo para comer? Fiz um bolo de fubá maravilhoso! 
— Eu agradeço… E pode me chamar de Charlie, como já te falei outras vezes!
— Desculpa, Charlie! Mas sabe como é o tal do costume né? — Rindo, ela entrou na cozinha. Charlie ficou quieto, tentando ouvir algum ruidinho vindo dos outros cômodos. Nada. Estava quase levantando-se para ir bisbilhotar o corredor, porém voltou para trás com a figura da senhora vindo na sua direção, segurando uma bandeja de treliça com duas xícaras e pedaços de bolo amarelo. Sentou-se na sua frente, oferecendo uma xícara de café. 
— Obrigada! — Bebeu um pouco do café doce da mãe de Maria, relembrando através do sabor gostoso de café passado, os velhos tempos. Sorrindo nostálgico, ele perguntou com o tom mais casual que ele conseguia perguntar: — Por acaso a Maria está por aqui…?
Seus olhos eram duas jabuticabas lustrosas por cima da xícara. A senhora a sua frente mastigou o bolo, o olhar sorridente para ele, engolindo e bebendo do seu café antes de responder:
— Há, sabia que você veio aqui por ela — um soco seria melhor no coração do padre, que gelou diante aquele comentário: — mas não. Faz um tempinho que Maria não mora mais aqui… 
— E cadê seu esposo? — Charlie tentou disfarçar seu único interesse na conversa, pegando um pedaço do bolo que molhou seus dedos com a gordura, levando-o até a boca para mantê-la ocupada. 
— Hoje ele foi ajudar o esposo de Maria com umas coisas de marcenaria dele… Sabe como ele é né? Sempre muito solícito com os outros… Mas padre, por que você sumiu? Desde que Maria foi embora de casa, você sumiu dessas bandas… Sentimos sua falta!
— Sério? — Pigarreou, bebendo o resto de café junto ao resto do bolo. Empurrou garganta adentro os grãos de milho sovado como se fossem pedrinhas que arranharam seu interior. A mulher tinha o ar leve:
— Seríssimo! Maria um belo dia chegou em casa e disse: mãe, pai, eu vou me casar! E quando vimos, ela já estava de mala e cuia debaixo dos bracinhos indo morar lá do outro lado da cidade, quase na divisa com o município vizinho… Faz pouquíssimo tempo que eles vieram mais pra perto. Mas só depois de muita insistência minha e do meu marido para que ela viesse pra cá, pra perto de nós — suas expressões era incerta, os vincos acentuando-se mais: — era como se ela tivesse com medo, mas medo de quê, Padre!? Uma menina tão comportada e boa filha como Maria sempre foi! Só foi um baque saber que ela casou grávida mas ao menos… Bem, ao menos ela casou com o pai do filho dela—
— Eu vi mesmo — imediatamente Charlie quis cortar sua própria língua atrevida, mas já era tarde, a senhora o olhou curiosa, um sorrisinho suspenso nos seus lábios, sem saída ele complementou tentando soar descontraído: — hoje mais cedo na missa. Estavam ela, esse moço, uma senhorinha segurando um bebê… E o bebê.
— Miguel. O nome do meu neto é Miguel! — Ela prontamente falou, abrindo um sorriso orgulhoso que iluminou seu rosto. Num pulo ela se levantou sumindo para dentro do corredor.
O coração de Charlie acelerou dentro do seu peito, uma sensação que misturava o amargor adocicado que o café deixou em sua boca com uma sensação de uma paixão descabida o encheu por inteiro. Miguel. Era um nome lindo, significativo até demais para ele. Lembrando-se do anel que sempre usava, seus dedos tateiam os relevos da imagem gravada na prata de São Miguel Arcanjo. Miguel, meu filho se chama Miguel, foi a voz interior reverberando entre as paredes do que era certo e errado falou para ele. 
Desfez o sorrisinho bobo que surgia em seus lábios quando a mãe de Maria chegou segurando um albúm de fotos grande nas mãos. Afastou a bandeja de lado, sentou-se bem próxima de Charlie, pousando o pesado albúm com capa em tecido entrelaçado branco, com detalhes em renda no colo dele. Abriu o albúm cheios de fotos, passando-as até mais da metade onde os olhos curiosos do homem viram as recém-fotos anexadas nos vincos das páginas: Maria bela em seu vestido de noiva, sua eterna noiva, véu e grinalda, uma expressão melancólica no olhar e no sorriso forçado, distante em uma beleza de uma estátua. Era bela, cheia de detalhes perolados e brilhantes, mas inflexível. Sem vida. Seu coração retorceu de remorso por saber que se fosse ele – ah se fosse eu, com certeza ela estaria com o sorriso mais belo neste rosto!
Ao lado dela o homem que viu na missa. Alto, esguio, pele bronzeada, olhos amendoados, estava com um terno ridiculamente branco, Charlie torceu o nariz, não foi com a cara do indivíduo… Parado com as mãos possessivas nos ombros da sua Maria, ele tinha um sorriso largo de denters alinhados e muito brancos. Os cabelos castanhos médios eram encaracolados, o nariz arrebitado, a postura de um galã de novelas antigas. Charlie questionou genuinamente curioso:
— Como Maria conheceu ele…? Digo-ela nunca me disse nada sobre estar conhecendo ninguém.
— Esses são um dos mistérios de Maria, Padre! Quando nós vimos ela já tinha noivo e casa para morar. Não deu nenhum sinal à nós… Sabe Padre, Deus me perdoe, a mim e a meu marido mas — ela parou, a mão suspensa entre virar a página, olhos profundos nos de Charlie que prendeu sua respiração: — desde a ida dela e seu sumiço, nós-oh meu Deus, nos perdoa-nós pensamos que ela havia se apaixonado pelo senhor e tido ficado desiludida, por isso decidiu sumir de tudo. Mas é óbvio que o senhor é santo e ela também, por isso ela acabou tendo rolo com esse homem, um bom moço, não irei mentir, tendo o Miguel, um anjinho nesta terra! Olha só Padre! — Virou a página. Charlie porém ficou uns segundos com a cabeça virada na direção da mulher, retornando o fôlego prendido, um suor frio escorrendo pela testa, pensando que eles realmente tinham razão. Na verdade, não faziam ideia da história completa e era melhor continuarem pensando aquilo. 
Seu olhar voltou gradativamente para ver a foto que ela apontava. Imediatamente todos aqueles pensamentos despencaram e ele sentiu um amor profundo. Miguel recém-nascido enrolado em uma mantinha cor creme, todo roliço com os olhos de jabuticaba que herdou dele. Sorrindo feito um bobo, sentindo a cara arder de carinho, ele apontou para o pequenino:
— Ele é uma gracinha! Tem quantos meses…?
— Miguel completou onze meses esses dias atrás. Dezembro agora ele completará um ano de idade… Acredita que ele nasceu na Véspera do Natal!? Um milagre! 
— Sério? — Charlie indagou, seu olhar cheio de amor mudando da foto para a mulher: — É uma verdadeira benção mesmo… — Sua voz foi sumindo entre os pensamentos tempestuosos que formavam através do seu olhar. A mulher começou a tecer comentários sobre a vinda do menino, sua voz soando como um rádio distante na mente do homem que fez rapidamente as contas, ligou pontos, tentou buscar no fundo dos alçapões da memória os indícios que Maria lhe deixou.
Repentinamente entre as palavras da mulher que estava comentando sobre o casamento de Maria, ele a atropelou ao questioná-la:
— E onde atualmente eles moram?
Aquela necessidade pungente acabou escapando para fora, recebendo um olhar de curiosidade da senhora, ele teve consciência que estaria se arriscando. Porém ele necessitava de corpo e alma, carne e sangue, ir atrás daquela verdade.
Quando saiu da casa o sol já estava se pondo. Levava uma vasilha com o bolo depois de muitas insistências da mulher. Seu coração carregado de questionamentos, no bolso da camisa um pedaço de papel onde a mãe de Maria lhe anotou seu endereço – e ainda comentou por alto o horário que ela estava sozinha com o filho.
Chegando no portãozinho quase trombou com o homem esguio que estava ao lado de Maria naquela manhã. Seu marido. O homem o olhou com profunda curiosidade, estava suado, a camisa branca levemente encardida. Sorriu sem jeito para o Padre, seu hálito fedia a cachaça:
— Padre! Que coisa te ver por aqui!
— Estava visitando velhos amigos… Como se chama mesmo? — Ergueu uma sobrancelha, parado ainda na frente do portãozinho, bloqueando a passagem do outro, atrás dele ele escutou a voz da mãe de Maria se despedindo dele de dentro da casa:
— Meus modos! Sou Vicente! Prazer Padre, sou novo na cidade… Daqui só conheço Maria e os pais dela… — Abriu seu sorriso que revelava dentes manchados. Charlie abriu um sorriso ensaiado, sentindo um profundo desgosto por Maria ter trocado ele por aquilo. Mas manteve a postura, estendendo sua mão para um aperto. 
— Mãos macias Padre! 
— Eu já vou indo… — Charlie ignorou o comentário debochado do homem cuja mão era áspera feito uma lixa. Abriu passagem para o outro subir, já do lado de fora se virou para Vicente, falando com um tom suave:
— Aliás se não for pedir muito — sorriu singelo? — mande um beijo e um abraço à Maria e a Miguel. Pode dizer que fui eu que lhe mandei. 
Com isso virou de costas, indo até seu carro, determinado mais do que nunca a confrontar a mulher. 
Nos seus sonhos inquietos, Charlie tinha lapsos de imagens de Maria segurando o bebê em seus braços, coberta do véu celestial azul com estrelas douradas brilhando ao seu redor. Ela sorria para ele, misericordiosa, e o chamava como um clamor. Ele, nu, completamente frágil naquela floresta escura, cheia de espinhos e galhos retorcidos, tentava alcançá-la com pés furados, mãos sujas de sangue, testa vincada com ranhuras onde versos bíblicos deslizavam feito água. Ela era uma luz imaculada naquele mundo terrível de dor e escuridão. E parecia tão distante de si. 
— Maria! 
Gritou num pulo, o peito subindo e descendo freneticamente. Pregado de suor, nem mesmo o ventilador ligado era capaz de dissipar aquela onde quente que rastejava por seu corpo. Quando passou a mão no rosto, sentiu as bochechas e olhos molhados de lágrimas que chorou durante o sono. Deitou com tudo na cama, porém durante o resto daquela madrugada não voltou a pregar os olhos – não por ter perdido o sono, que hora ou outra voltava tentando agarrá-lo de volta ao véu escuro do sono –, mas sim com medo de sonhar com Maria e Miguel. Com medo de encarar aquela realidade mais uma vez. 
A segunda o recebeu com uma dor de cabeça latente pela noite mal dormida.
Só conseguiu sentir-se confortável para voltar a fechar os olhos quando o sol raiou através da janela, iluminando seu quarto. Tirou um cochilo antes do despertador tocar no fundo da sua cabeça. Tomou seu banho gelado de costume, penteou os cabelos para trás, se encarou no espelho mais uma vez recitando seu monólogo matutino, rezando e pedindo muita luz de Deus nos seus caminhos. 
Quando a tarde chegou, deu um jeito de escapar das suas obrigações para resolver seus próprios assuntos. 
Estacionou o carro em frente a casa de muro alto, pintado de um laranja desbotado, um portão cumprido que servia como entrada principal de um vermelho mais vivo, enferrujado na borda, com outro maior que era da garagem. Uma típica casa familiar num bairro mais familiar ainda, quase parado, com casas médias e grandes naquele quarteirão, muitas árvores e pouquíssimo movimento. Estava trajado com sua farda diária: a calça social preta, as botas de couro, a camisa social em um tom de azul-marinho, a clérgima no pescoço. Saiu com as mãos munidas da sua desculpa: a vasilha que a mãe de Maria lhe entregou no dia anterior e uma bíblia desgastada. 
Seu coração dentro do seu peito estava acelerado, quase escapando pela boca seca. Tocou o interfone. Esperou segundos que pareciam minutos. A voz eletrônica o fez tremer de ansiedade:
— Quem é? 
Se aproximou do interfone, limpou a garganta antes de falar com a voz grossa?
— Maria, sou eu… 
Silêncio. Por um momento ele jurou que ela iria mandá-lo embora. Mas ele recebeu apenas o silêncio como resposta. Até cogitou voltar atrás, que aquilo era um tremendo erro – mais um para sua coleção… Mas antes que pudesse refazer seu caminho, ouviu de dentro passos e um tilintar de chaves. O portão abriu-se e a figura de Maria apareceu feito um sonho. Seus olhos brilharam ao vê-la tão de perto após todo aquele tempo. Mesmo vestida da forma mais caseira possível com um vestido simples e um avental, ela estava resplandecente. Sua expressão era séria:
— O que veio fazer aqui?
— Bem — retornou a órbita, estendendo a vasilha: — vim te entregar isso e —
— Tudo bem, obrigada. — Cortou ela pegando a vasilha das suas mãos. Charlie ficou parado sem reação. Maria o encarava de volta quase em tom desafiador. Entrelinhas ela estava dizendo para ele: “o que mais você quer?”.  Ela já ia fechando o portão na cara dele quando ele decidiu agir, impedindo que ela fechasse, praticamente clamando:
— Não, por favor! Deixa eu entrar… Eu preciso conversar com você! 
Maria parou, encarando-o com um profundo ódio na sua expressão. Suspirou, a clemência vindo do rosto daquele homem tocou em um ponto que ainda era extremamente vulnerável dentro dela. Deu espaço para que o homem entrasse, sentindo o cheiro dele quando o mesmo passou por ela, ressuscitando emoções passadas. Ela poderia ter dito um não mas era impossível dizê-lo quando tinha aquele par de olhos escuros pedindo com uma fragilidade por ela. 
Entraram na sala da casa dela. Arejada, um sofá azul, o raque com a televisão, alguns quadros pendurados na parede. Os olhos de Charlie buscaram por algum rastro do bebê pela casa. Maria parou no batente do corredor, braços cruzados, tomando uma distância segura do homem, que indagou com as mãos na cintura:
— Onde está o bebê?
— Que bebê?
— Por favor Maria — sua voz era um sussurro, se aproximando a passos lentos da mulher, um olhar de piedade para a expressão séria da mulher: — não finja de boba. Eu o vi. Ontem na missa, você, aquele seu marido, o bebê…
— E o que você quer com ele? — Questionou, virando o rosto quando Charlie se aproximou dela, as mãos dele ergueram no ar, na direção do rosto dela, como um reflexo antigo que não conseguiu conter, porém manteve as mãos suspensas no ar. Sua respiração quente batendo no rosto da mulher. Charlie sussurrou?
— O que eu quero com o meu filho? 
Maria finalmente o encarou.
O olhou. Suas pupilas se dilataram, sua reação foi imediata: desgrudou da parede, descruzou os braços, uma expressão de susto tomou sua face enquanto se distanciava mais uma vez do homem. Charlie deixou que os braços caíssem nas laterais de seu corpo, virando-se para fitar a mulher que estava no meio da sala, desnorteada. Ele impôs:
— Maria, eu só te peço a verdade. Nada mais que isso… — Tomado de coragem se aproximou dela novamente, os passos cautelosos para não espantá-la mais uma vez para longe dele. Maria ficou estática, como se o aguardasse. Charlie finalmente colocou suas mãos nos ombros dela, para impedi-la de sair correndo mais uma vez, sua voz era convicta: — Além de eu poder conhecer o menino. Meu filho. Só te peço isso. Por favor. 
A mulher lentamente aceitou aquele abraço, as mãos do homem deslizando e encaixando-se perfeitamente em suas costas, abraçando-a com seu corpo quente, alimentando sua alma novamente com as esperanças de encontrar um lugar divino. Com lábios singelos, Charlie beijou-lhe o ombro, enterrando-se mais uma vez naquela mulher. Sua Madalena. O passado agora parecia o dia anterior que apenas dobrou e nada mudou entre eles.
Maria preparou um café para eles. O relógio marcava as três da tarde. Miguel dormia num moisés que foi colocado na cozinha, Maria terminava de mexer em uma penela onde um recheio de bolo engrossava, comentando com casualidade que estava vendendo bolos, doces e salgados para festas por encomenda – algo que surgiu no ano anterior, por sugestão do homem que sempre a viu tão imersa e fascinada naquele mundinho, e que deu certo.
Charlie que estava sentado quase colado ao moisés, estava perdido em admiração pelo bebê rechonchudo que dormia angelicalmente naquela caminha, sentindo o peito em chamas. Chamas de amor paternal que ele mal fazia ideia que habitavam sua alma. Sua mão que suava frio encostava a borda do moisés, mexendo-o com suavidade, buscando de alguma forma tocar seu filho. O bebê de onze meses era grande, roliço, as bochechas rosadas, o nariz era um pontinho arrebitado, os lábios eram rosados, entreabertos com um pouquinho de saliva escorrendo, as sobrancelhas eram bem definidas e escuras, os cabelos era levemente enrolados e de um dourado-acobreado que o relembrou das fotos de infância. Miguel era praticamente um outro ele, um pedaço dele que se multiplicou. Não havia milagre mais sublime que aquele.
Maria terminou com o recheio, deixando-o preparado num canto. Trouxe para a mesa quadrada de tampo de mármore com uma toalha de mesa de plástico por baixo da de pano bordada os biscoitos que sobrou da última bandeja. O cheirinho de baunilha e canela preencheram as narinas de Charlie que agradeceu a mulher pelo lanche. Os dois se serviram naquele silêncio aconchegante da casa dela, logo atrás dele a porta do quintal estava aberta, onde os passarinhos que faziam ninho na enorme árvore central cantavam. Era um pedacinho gostoso da paz. 
Maria decidiu começar a falar antes que os próprios pensamentos a comessem viva:
— Você por algum acaso me procurou depois que eu fui embora? — Charlie olhou para a mulher com o peito carregado de culpa. Com a voz pesarosa ele respondeu com toda sua verdade:
— Não. Quando você decidiu dar um ponto final eu sofri, calado, porém não fui atrás de você. Tanto em respeito a sua decisão quanto a minha vontade em me redimir com Deus, com meus votos… 
— Tudo bem — ela respondeu tentando manter a cordialidade na voz, sorriu para ele do outro lado da mesa: — tudo bem mesmo Charlie. Imaginei isso mesmo, eu não poderia ser egoísta ao ponto de desejar o contrário… Seria hipocrisia da minha parte, imagine — deu de ombros soltando uma risadinha: — decidir que iria te deixar e simplesmente desejar que você viesse atrás de mim…? Não. Não faz sentido. Não fazia sentido na época…
— Naquela época você já estava grávida, né? 
— Sim. Tinha acabado de descobrir — seus olhos caíram em Miguel, sereno em seu sono, Charlie acompanhou o olhar dela: — que estava grávida. Foi até engraçado, sabe? — Riu das lembranças:
— Não é motivo de risada por causa das circunstâncias mas… Um dia antes de nos encontramos, eu tinha feito um teste de farmácia escondido. Já tinha uma desconfiança e bem… Deu positivo! Eu fiquei em estado de choque.
— Você cogitou abortar? — A pergunta repentina veio de um medo distante desta possibilidade. Maria negou com a cabeça:
— Nem se fosse seu desejo… Era o que você iria me pedir, caso eu te contasse?
— Não — Charlie respondeu, sério: — isso só caberia a você. 
— Mas abortar não é um assunto espinhoso para a Igreja, passível a condenação eterna…? 
— É. Mas sinceramente… Para mim, não é da minha conta se alguém vai querer abortar ou não Maria. Isso no final das contas é problema dessa pessoa com Deus. Mas se você quer mais sinceridade de mim — coçou a sobrancelha: — eu ficaria bastante magoado se soubesse que você interrompeu a gravidez do nosso filho.
Maria não quis demonstrar muito a surpresa com a resposta do homem mas não conteve o sorriso que emoldurou seu rosto.  Charlie notou aquele brilho no olhar dela, sentindo-se mais confortável. Virou-se para Miguel mais uma vez, completamente encantado com seu filho:
— Sua mãe me contou um pouco sobre sua história…
— Ah é? E o que ela te disse?
— Me lembro dela contar que você sumiu de repente e voltou barriguda e noiva. Que esse tal de Vicente — torceu o nariz ao relembrar do sujeito: — te levou pra cidade dele, que é vizinha da nossa, e que Miguel nasceu na Véspera de Natal. 
— Uma benção. — Os dois falaram a palavra em uníssono, rindo logo em seguida da coincidência. 
Maria remexeu na cadeira, abrindo seu sorriso:
— Sim, sim… Minha história se resume a basicamente ter surtado e ido embora daqui, ter me esbarrado com o Vincente que me deu um ombro amigo e um apoio, daí ele me pediu em noivado e nos casamos, voltamos para cá e estou recomeçando minha vida. Simples.
— Ele pensa que Miguel é o filho dele?
— Em partes o menino é filho dele, Charlie. Desde quando tava barriguda ele sempre ajudou muito nós dois… Nunca questionou do por que do filho dele ter nascido um mês e meio adiantado. Muito menos dele não ter um pingo de semelhança com ele ou com alguém da família dele. Ele é na dele. 
— E isso te conforta? Isso é o suficiente?
— Isso é o bastante para mim Charlie. Eu não poderia simplesmente brincar de mula-sem-cabeça até morrer. — Maria falou com um tom bem-humorado na voz, porém Charlie ficou sério com a resposta dela. Aquilo entrou na mente dele e cravou espinhos no seu ego. Antes que ele repetisse, Miguel balbuciou uma reclamação chamando a atenção de ambos.
O menino acordou. Maria ia se levantando para acudir o filho, porém Charlie foi mais rápido pegando o bebê em seu colo, começando a ninar ele, o sorriso bobão em seus lábios. Por aquele momento, ambos esqueceram o passado, as farpas trocadas, as mágoas guardadas em cantinhos de suas almas – por aquele momento único, eles se permitiram aproveitar um instante de afetos velados. Charlie olhou orgulhoso para Maria que estava parada em pé na frente dele, ambos sorrindo.
Emocionado com lágrimas silenciosas nos seus olhos, ele sussurrou:
— Ele realmente têm os meus olhos Maria! Isso é tão lindo… Meu filho… 
— Me prometa que irá sempre me ligar se precisar de algo? 
— Não que eu precise de caridade — começou Maria com os braços cruzados, encostando-se no portão entreaberto de sua casa: — mas sim. Irei te informar caso algo ocorra.
�� Irei te rever nas missas dominicais? — Charlie questionou, a bíblia debaixo de um dos  braços cruzados, expectativa iluminando seu rosto. A tarde caía ao redor deles, a rua permanecia parada. Maria revirou os olhos:
— Sim, eu e Miguel iremos às missas. Pode ficar tranquilo!
— Que bom — falou, aliviado, um peso saindo de seus ombros. Olhou para dentro da casa dela, a vontade de ficar e fazer moradia naquele lar expostos na sua hesitação em ir embora. 
— Obrigada por ter me aceitado na sua casa Maria. Por ter deixado eu conhecer o me-o Miguel. 
Maria queria responder o que veio na sua mente de imediato: “Para você eu nunca falaria um não.”, mas se contentou em responder:
— De toda forma você daria seu jeito em conhecê-lo…
— Tem razão. Você me conhece como ninguém — riu: — então eu vou nessa… Fiquem com Deus e dê um beijinho de boa noite nele por mim.
— Tudo bem, Charlie. Tchau!
— Até logo Maria! Até logo…
Ele se recusava a se despedir em definitivo. Se afastou do portão, Maria sumiu quando o mesmo fechou-se atrás dela, um sentimento de vazio o assolando enquanto ele caminhava até seu carro.
Sentado dentro do veículo uma mistura de sentimentos transbordavam de si. Um recomeço parecia querer se firmar entre o Céu e a Terra diante de si.
"Aproveitem ao máximo todas as oportunidades nestes dias maus." (Efésios 5:16)
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clarasgallagher · 4 months ago
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back to reality @ethanduckingbarclay
Na volta, Clara percebeu que se sentia cada vez mais confortável ao lado de Ethan. Conseguia fazer mais brincadeiras espontâneas e contar histórias sem pensar muito em como iria falar e no que deveria deixar ou não de fora, o que fez a viagem de volta passar ainda mais rápido. Ela estava tentando ignorar o fato de que teria que voltar para sua rotina - não que fosse insuportável, mas o fim de semana na mansão Barclay tinha sido revigorante o suficiente para ela ter sentido falta assim que entraram no carro para retornar à Londres. De maneira otimista e com um sorriso discreto no rosto, pensou que teriam mais oportunidades de repetir aquilo. Só quando os prédios familiares da rua de sua casa começaram a aparecer que a ficha caiu de verdade. Ela se despediu de Ethan e agradeceu pelos dias, e prometeu vê-lo no dia seguinte.
Assim que bateu a porta de casa, estando dentro do seu apartamento ainda silencioso (Sabrina não estava, pois ela iria pegá-la na casa da cuidadora apenas no dia seguinte), ela parou para olhar seu celular (olhar de verdade, e não só ignorar o que estava alí). Com uma ligeira careta, verificou ligações perdidas e quaisquer mensagens. A maioria era de sua mãe, com frequentes "cadê você?", como se ela não fizesse ideia de onde estivesse a filha, quando Clara mesmo já tinha avisado e o sr. Barclay ainda ajudou a confirmar que estava tudo certo. Mesmo de longe, Brianna ainda tentava controlar os passos da filha, e a mais nova percebia ligeiros surtos quando não conseguia ou quando Clara fazia tratamento de silêncio. Ignorar sempre foi a maneira mais efetiva de ter paz, com exceção, é claro, da distância física ao ter se mudado. Ainda assim, pensou que a curiosidade deveria ter muito a ver com a casa de determinada família na qual tinha passado o fim de semana. Brianna poderia achar, mas Clara não era boba. Ela imaginou que iria tentar ao máximo deixar a relação com Ethan discreta até para sua própria família, para que episódios como o fatídico pedido de casamento de Christopher não se repetisse (nota da autora: mal sabia ela......). A garota digitou rapidamente um "em casa" e guardou novamente o telefone no fundo da bolsa. Como já era fim de dia, trataria apenas de organizar o mínimo para o resto da sua semana.
Desde que acordou (antes do despertador sequer tocar), Clara estava com uma energia que ela não identificou exatamente de onde vinha. O dia, segundo seu horário, estava repleto -- e ela não admitiria, mas a ligeira ansiedade não era exatamente por isso, mas sim por rever Ethan, conforme combinado, ao final do dia. Ao adentrar no campus e seguir em direção ao seu bloco de aulas, procurou Julie na multidão pois tinha uma ligeira dependência emocional na garota (brincadeira) e ao achá-la, passaram boa parte dos primeiros tempos juntas. Na última aula, de escrita criativa, Clara ficou sozinha e se demorou na sala um pouco além do tempo organizando algumas ideias. "Clara, não vá se perder por muito tempo aí, tá bem?" recomendou seu professor pouco antes de ele mesmo recolher suas coisas e sair, deixando ela sozinha por alguns minutos. Ela não tinha percebido, e quando olhou seu relógio de pulso, no qual já indicava ser 17h30, deu um pulo. Estava atrasada.
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gliterarias · 6 months ago
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Resenha Coletiva: O Bosque das Coisas Perdidas
A obra de Shea Ernshaw chegou ao Brasil três anos após a data de sua publicação original com muita magia e mistério. Vencedora do Oregon Book Award, “O Bosque das Coisas Perdidas” nos conta a história de Nora Walker, descendente das bruxas Walkers, ditas como mais velhas que o bosque onde a história se passa.
Nora Walker segue o caminho de suas ancestrais, diferentemente de sua mãe. A jovem bruxa não liga para os cochichos e os olhares atravessados dos outros moradores da região, segue sua intuição e os aprendizados da sua avó, entrando e encontrando coisas perdidas bo bosque em toda lua cheia, como fora ensinada.
No entanto, em um dos invernos mais rigorosos, onde os moradores acabam sendo isolados e presos pela forte nevasca que os impediu de irem embora, um garoto desaparece. Nora, durante suas visitas ao bosque, para encontrar relíquias para vender ou usar de decoração, o encontra, sentindo uma atração inexplicável por Oliver Huntsman.
Ao retorná-lo ao acampamento de onde ele tinha desaparecido, descobre que no mesmo dia em que Oliver desapareceu, um garoto morreu. Os eventos estariam conectados? Por que a mariposa de ossos(que significa morte) seguia Oliver? E por que o garoto não consegue se lembrar de nada? Estaria ele ligado à morte do outro garoto? Ou também havia sido vítima, mas conseguiu sobreviver? 
As pistas e respostas estão nas páginas seguintes, através de capítulos com os pontos de vistas de Nora e Oliver, em uma narrativa instigante, cheia de mistérios, magia e tensão. E aí? Consegue desvendar esse mistério?
Mary: Já tinham me indicado as obras  de Shea Earnshaw diversas vezes por conta dos conteúdos bruxescos das narrativas, já que sou uma bruxa natural, não como as Walker, mas uma bruxa. A leitura é viciante, a cada descrição eu me conectava ainda mais com os personagens e o bosque, os capítulos sobre as histórias de cada Walker além das referências à bruxaria ver/natural também me deixaram com o coração quentinho. Com toda certeza, “O Bosque das Coisas Perdidas” se tornou um dos meus queridinhos.
Nick: Sendo sincera, ainda não terminei a leitura do livro, já que entrei numa ressaca literária - odeio quando isso acontece, vocês também? - mas assim que comecei a ler, já sabia que ia amar a história, a escrita da autora é incrível, toda a tensão, e como o bosque realmente parece uma coisa viva e sombria. 
Gostei da Nora e do Oliver como protagonistas. Os pontos de vista dela são marcados pela magia ancestral, pelo amor à avó e à família. E pelo medo e reverência à floresta e ao Bosque de Vime. Nora entende o desconhecido. Teme o que não pode controlar. E sabe que, bruxa ou não, aquele lugar antigo merece respeito.
Enquanto o Oliver oferece o mistério. Como ele chegou no bosque? Por que ele foi pro bosque?
Enfim, só lendo para descobrir!
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the-juna-things · 6 days ago
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Resenha 001: Bem-vindos à livraria Hyunam-Dong
Resenha 001 – 16/01/2025
Livro: Bem-vindos à livraria Hyunam-Dong
Autora: Hwang Bo-Reum
Tradução: Jae Hyung Woo
Publicação: 10/08/2023
Páginas: 271
Nota: 5/5
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“Bem-vindos à livraria Hyunam-Dong” retrata o cotidiano da livraria que dá nome ao livro. Yeongju, a protagonista da obra, é uma jovem adulta que busca consolo e conforto e, com base em sua paixão por livros, decide que buscará isso abrindo uma livraria. Na medida que passa o tempo, percebe que apenas amar ler não a torna uma boa administradora para o seu novo negócio, pelo contrário, se fechar em si mesma tem afastado a clientela, o que é péssimo para um estabelecimento que precisa se manter funcionando. Á partir daí decide tornar a livraria um refúgio não apenas para si mesma, mas para todas as almas que precisam de consolo e afago, ou simplesmente um momento de lazer e boa conversa. Essa trajetória a leva ao conhecimento e aceitação de si mesma, algo que aparentemente a livraria também teve o poder de fazer com os que a encontravam.
 O texto de escrita leve está repleto de ensinamentos que vão além de uma boa história, mas fala diretamente com o leitor. É um livro que transita entre as diversas crises que a meia-idade pode trazer, mostrando que todos temos nossas fraquezas e maneiras de lidar com elas, mas reforça a importância da comunidade para superarmos o que nos prende e distancia da felicidade. Hwang Bo-Reum pôde abordar temas muito profundos de maneira tranquila e às vezes melancólica, que me trouxeram boas reflexões. Cada personagem que passa pela Hyunam-Dong é um pouco explorado em suas questões, nos mostrando desde um jovem frustrado por não conseguir se inserir nas expectativas que seus pais criaram sobre ele, até uma mãe perdida em sua própria identidade.
Nos sentimos, de fato, bem-vindos na livraria, como uma mosquinha intrusa que com o tempo é acolhida. Não sei dizer a razão, mas de forma impressionante, mesmo com narração em terceira pessoa, em todo momento tive a sensação de estar sendo parte de cada cena. Não li muitos livros na minha vida, confesso, mas este em específico foi como um abraço, me senti invadida pela vontade de lê-lo novamente o mais rápido que puder.
Ao mesmo tempo que cria esse ambiente caloroso, a obra faz críticas muito interessantes à respeito do sistema capitalista e de suas consequências na mentalidade de uma sociedade que anseia por ser aceita neste sistema, que privilegia poucos. A necessidade de sucesso profissional que se mistura com os desejos pessoais, as pessoas se perdem e não sabem mais identificar o que realmente querem e o que “devem” querer segundo as tradições. Vemos neste livro a mais pura realidade. Ao mesmo tempo que é bom buscar os nossos verdadeiros sonhos, nem todos têm acesso à tal cenário, o fazendo utópico para alguns.
A autora nos apresenta Yeongju, que tem sua reserva financeira (conquistada por meio de um burnout) e consegue tomar a decisão de ir atrás de seu sonho e abrir uma livraria em um bairro pacato. Mas também nos mostra um pai que gostaria de passar mais tempo com os filhos, mas precisa dedicar suas horas ao trabalho para sustentá-los. Bom, o resumo da ópera é: este é um livro que te faz parar e pensar, ele não te apressa com fatos atropelados, mas passa devagarinho. É para você apreciar, refletir. Existem muitos detalhes que me apaixonei nesse livro e gostaria de contar (e lembrar) cada um deles, mas tem sentimentos que só podemos ter experimentando. Sou grata por ter sido bem-vinda na livraria Hyunam-Dong, espero que mais pessoas se sintam assim.
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alcoh0lica · 1 month ago
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GUILTY AS SIN
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→ sumário: você está perdida em Silent Hill e encontra um homem muito bonito, James Sunderland.
→ número de palavras: 3.5K.
→ Cuidado: beijos, carinhos, palavrões e fofo de certa forma.
→ notas da autora: eu acabei me inspirando em alguns imagines da @decay-1, @kiyokowastaken e @theawfuledges. Espero que gostem!! Compartilhem, envie aos seus amigos e curtam bastante ♥️
****
Nem acredito que estou aqui. O que eu vim fazer nessa cidade decadente e cheia de neblina? Se não fosse por aquela carta...
A carta. Então me lembro da real razão de como eu vim parar aqui. Uma viagem de 3 horas por conta de uma maldita carta que eu recebi da minha irmã. Da minha irmã morta.
A 3 anos atrás viemos até Silent Hill para buscar uns documentos idiotas dela, que ela havia esquecido naquele hotel... Como é mesmo o nome dele?
Acontece que na volta estávamos discutindo sobre alguma coisa, tinha haver com a nossa casa e nossos pais, a ida dela até a universidade e ela me deixando sozinha com aqueles dois malucos que só se metiam em encrenca. Pois é, nossa relação familiar era bem invertida: as filhas cuidam dos pais. Engraçado não é mesmo?
No começo era só um discussão com acusações bobas mas, de repente, algo mudou... o clima pesou e a briga começou a ficar séria de verdade. Ela estava gritando comigo, desejando nunca ter tido uma irmã, colocando toda a culpa da nossa mão ter endoidado em cima mim. “Foi por causa do seu nascimento sabia, os médicos fizeram alguma coisa e ela ficou surtada”, ela disse. Só sei que a neblina começou a se formar bem na nossa frente e ela começou a ficar densa, quase como se fosse possível cortá-la com uma faca. Foi ai que tudo mudou. Apareceu alguém, uma criatura que era só pele... mas que bobagem, isso não existe. Apareceu uma pessoa na frente do carro e ela não viu, eu girei o volante para não matar o que estivesse ali e então...
Então o carro caiu num abismo. Ele caiu a vários metros e capotou, girando e girando e girando. Acordei uma semana depois no hospital com a noticia que minha irmã havia falecido. E era tudo minha culpa. Eu comecei a discussão e eu puxei o volante. Se eu tivesse ficado quieta e deixado ela atropelar aquela coisa na estrada, ela ainda estaria aqui. Marina ainda estaria aqui e eu não precisaria encarar o olhar de decepção e ódio não verbalizado dos meus pais, que me culpavam silenciosamente pelo acidente.
E então, quando estou prestes a ir embora e deixar tudo isso para trás, recebo uma carta de Marina me chamando até Silent Hill, dizendo que está me esperando em nosso lugar especial, aquele em que íamos nas férias quando criança. Era loucura, é óbvio que era loucura! Como que pode uma morta mandar uma carta? Era uma brincadeira de mal gosto, de algum infeliz amigo meu. Mas se eu estava tão certa disso, porque eu estava aqui? Porque eu voltei a Silent Hill?
***
Não sei quantas horas já se passaram e nem quantos dias estou aqui. Estou cheia de sangue de criaturas que não consigo nem explicar o que são e até agora nenhum sinal de Marina. Acho que estou começando a enlouquecer. Acabei de matar uma criatura que era apenas pele e pernas, sem braços, que se rastejava pelo chão e vomitava ácido, ou seja lá o que aquilo fosse. Por pouco não pega em minha pele. A neblina começou novamente a ficar densa e eu já nem sei mais aonde estou. Acabei de passar pelo Lago Toluca e estou no meio da cidade. Por sorte, consegui pegar um machado numa daquelas lojas de lenhadores barbudos e que usam flanela vermelha. Melhor correr.
Ao virar numa esquina, minha primeira reação é erguer o machado o mais alto que eu consigo e me preparar para o golpe certeiro mas... não é uma criatura. É um... homem. Um homem alto e loiro, de jaqueta verde e olhos azul-acinzentados. Parecia estar na casa dos 30 anos e muito cansado. Ele para a poucos passos de mim, com uma arma nas mãos – que antes estava apontada para mim e agora está acima de sua cabeça, me dizendo que está tudo bem. Mas ainda assim, não consigo abaixar o machado, que cobre metade do meu rosto.
“O-oi... Eu sou James...”
Não consigo encontrar palavras para respondê-lo, minha voz simplesmente não sai. Será que é minha imaginação? Como pode ter outro ser humano aqui? Ele me olha com assombro, espantado, mas com certa... admiração? É isso que eu consigo ver naqueles olhos.
“ABAIXA”
Ele grita enquanto aponta a arma para mim novamente. Mas não para o meu corpo e sim para o que está atrás de mim. Novamente, aquela criatura de pele. A bala acerta seu ombro, desestabilizando a criatura. Aproveito a chance, me ergo e acerto meu machado no peito daquela coisa horrível. Uma vez no chão, miro em sua cabeça e a divido em dois. Nem percebi que o moço... James, estava bem atrás de mim.
“Bela tacada”
Ele diz e eu me viro para encará-lo.
“Você é... real?”
“Sim... sim, eu sou real.”
Parece uma pergunta idiota, mas ele não deixa transparecer nada em seu rosto. Apenas me responde com um sorriso nos olhos. Mas ainda assim... ainda assim não consigo deixar de acreditar que ele é fruto da minha imaginação. Mal percebo quando estou perto suficiente dele para sentir um cheiro de suor e perfume amadeirado. Minhas mãos sobre devagar até seu rosto e, delicadamente, encosto minha palma em sua barba por fazer, sentindo a textura e a quentura que ele emana. Pra minha surpresa, ele não reage. Ele apenas ficou ali, parado, me olhando e deixando que essa completa estranha a ele o tocasse. O mais estranho é que ele... gostou. Ao sentir meu toque, ele fechou os olhos e deixou o peso do rosto cair sobre minhas mãos. Parecia que ele não sabia o que era isso a tempos. O que era um toque, um gesto de carinho. Tiro minha mão do rosto dele rapidamente, percebendo o que eu acabei de fazer.
“Desculpe”.
“Tudo bem. Viu, eu disse que era real”.
“É... você é...” – ficamos ali nos encarando por poucos segundos mas pareceu uma eternidade. Havia algo em aqueles olhos azuis como o oceano que me hipnotizavam. Ele me tirou do transe.
“O que você faz aqui?”
“Estou procurando minha irmã – MORTA, acrescendo em pensamento. Ele não precisava saber que eu era meia doida das ideias. – “e você”?
“Estou procurando por minha esposa... morta. Não... me olhe assim, eu não sou louco! Recebi uma carta dela dizendo para vir pra cá encontrá-la, mas já se passaram 3 anos desde que...”
“Desde que ela morreu...” – acrescentei por ele. Ao contrário do que ele imaginou, minha expressão de assombro não foi por ele estar procurando pela esposa morta e sim... pela nossa compatibilidade de história. Havia alguma coisa errada nessa cidade... Algo que nos atraiu até aqui. Ele continuou me olhando, de cima a baixo, mas sem dizer uma palavra. “Acredito em você, James”.
“Esse corte deve estar feio” – ele diz olhando pra minha barriga, onde havia uma mancha de sangue sobre um rasgo. Um cara com cabeça de pirâmide apareceu e fez isso...
“Não pior do que o do seu rosto” – uma marca vermelha com sangue seco se acumulava na bochecha direita dele. Essa provocação tirou um riso tímido de seus lábios.
Ouço mais passos e, automaticamente, me coloco na frente dele – algo naquela expressão patética dele me fez querer protegê-lo. Ergui meu machado, mas ele me puxou pra trás, pela cintura. Era uma mulher... Marina? Era... minha irmã!
“Marina?”
“James, te achei, estava te procurando querido... quem é essa coisinha?” – ela me olhou de cima a baixo. Meu Deus, ela é igual minha irmã, mas ao mesmo tempo é diferente dela. Ela chegou e se agarrou em James.
“Coisinha?” – até o jeito que ela falava...
“Mary, está é...” – ele me olha e percebe que nunca me apresentei, ficamos apenas ali perdidos nos olhos um do outro.
“Sydney. Sydney Redfield.”
“Prazer... Quem é Marina? Enfim, está começando a anoitecer e eu estou com um pouco de frio. Podemos ir, por favor?
“Claro... você vem?” – ele diz olhando para mim. Mas a pergunta mais parece um mandado, você vem comigo. Apenas assenti com a cabeça, sentindo a carta de minha irmã no bolso queimar.
Andamos mais alguns metros e, JESUS, essa Mary era insuportável. O jeito que ela não parava de tagarelar e toda hora esbarrava a mão dela na de James, arrumando um motivo para encostar nele. Sério, era desesperador. Igual a minha irmã quando queria chamar a atenção de um garoto. Isso estava me irritando, mas eu não sabia dizer o motivo. As vezes, olhava pra ela de canto de olho, mas tudo o que eu conseguia ver era James me estudando.
Paramos em uma rua para ele olhar novamente aquele mapa idiota da cidade, até que vi uma floricultura do outro lado da rua. Estava tudo tão calmo, quieto e sem neblina, que só andei até lá. Não esperava encontrar tantas flores ainda vivas em um lugar como esse. Mas havia uma ali, quase que como propositalmente colocada no meio da mesa e viva, uma que me lembrava uma data... 29 de novembro... meu aniversário. Hortênsias que ganhei de Marina. Levo meus dedos até ela, precisava ver se eram reais mesmo. Havia cores, formas e texturas comprovando sua verdade ali, me assombrando e reativando parte da história que eu queria esquecer. Nem vi James entrando e me olhando.
“Syd... Desculpa, eu não queria te assustar. Nem te tirar do seu próprio... mundo”
“Tudo bem” – aquele mesmo olhar pateta – “fico feliz que o tenha feito”. Ele se aproximou e encostou nas flores que estavam ali, mas com um pouco mais de força que o necessário, as fazendo desabrochar. Ele parecia triste... mais que o normal dele.
“Desculpe, eu não devia ter tocado... parece que tudo o que eu encosto... morre”
Sem pensar muito sobre, peguei a mão dele e a guiei até outro buquê que estava ali, gentilmente coloquei seus dedos nas pétalas.
“Não se rebaixe tanto, James... você só precisa de um pouco mais de delicadeza e paciência”. – Ao olhar para cima, ele estava lá, apenas parado me olhando com aqueles olhos e, novamente, o tempo parou! Ficamos ali por segundos que pareceram horas. Meu Deus, o que esse homem tinha que me deixava paralisada daquele jeito?
Uma corrente elétrica seguiu por todo o corpo de James no momento em que eu o toquei. Ele se arrepiou e fechou os olhos, respirando um pouco mais forte pelo nariz. Tentando manter a calma. Mas claro, precisávamos ir embora, então Mary gritou lá de fora que estava com frio e que queria ir logo pro hotel, nos tirando do transe hipnótico novamente. Ele ficou corado, limpou a garganta e disse “achei um caminho para o hotel Lakeview... é melhor irmos logo”. Ele saiu da loja e eu estava bem atrás dele.
Hotel Lakeview... Então esse era o nome do hotel que minha irmã havia deixado os documentos. Achamos três chaves no balcão, um quarto do lado do outro. James no do meio. Novamente, algo que parecia proposital. Mas de qualquer forma, foi tão bom entrar naquele lugar e perceber que não havia monstros ou neblina. Só uma cama e um chuveiro... que mágicamente funcionava. Limpei a maior parte do sangue do meu corpo, metade não sendo meu, e resolvi sair para procurar... não sei, mantimentos ou curativos. Foi ai que eu vi Mary se atirando em James novamente, eles nem sequer notaram a minha presença ali atrás deles... Só deixei eles pra lá e entrei em todos os quartos, garimpando um belíssimo kit de primeiros socorros. Havia uma escadinha e uma portinha também, que levava ao telhado. E Deus, que vista mais linda do céu estrelado. Agora estava tudo mais claro e quase sem neblina. A falta de energia da cidade deixava as estrelas e a luz refletindo fortemente em minha pele. Apenas aproveitei para deitar no telhado e olhar para cima... um respiro ao meio de todo o caos instaurado la fora.
“Ah... ai está você, graças a Deus” – James apareceu no telhado, parecendo aliviado de ter me encontrado – “procurei você em todos os quartos e não te achei, fiquei... preocupado”. – ele subiu no telhado e se sentou perto de mim.
“Você e Mary tem alguma coisa?” – não sei o porque eu perguntei isso, apenas saiu da minha boca como balas de um revolver. Até eu me surpreendi com a pergunta que fiz... Ele também pareceu surpreso.
“Com Mary? Não... Ela é só uma amiga que eu encontrei...” – ele ainda estava me analisando com aqueles olhos... Eu só queria saber o que se passava naquela cabeça. Uma vontade de com meu machado abrir seu crânio e desenrolar seu cérebro, desvendando cada parte de sua alma conturbada...
Eu estava olhando para ele também. Eu ia dizer algo, mas uma dor alucinante me tirou de órbita. Foi uma dor de rasgo, de como se um machado tivesse sido fincado em minha pele e arrancado metade dela fora. O que realmente havia acontecido, mas eu nem me lembrava mais disso. Um gemido saiu de minha boca, seguido de minhas mãos indo até minha barriga. James pareceu assustado. Chegou mais perto de mim.
“Posso dar uma olhada... nesse machucado?” – ele parecia em dúvidas sobre sua própria capacidade de cuidar de alguém. Mas eu não tinha muito escolha. Me sentei com dificuldade e ergui minha camiseta, deixando amostra minha barriga e o corte... feio, muito feio.
Ele chegou mais perto. Sentou com uma perna dobrada atrás das minhas costas e outra aberta, por debaixo das minhas pernas dobradas. Novamente, senti aquele cheiro amadeirado – só que mais forte. Um cheiro enebriante que me tirava de órbita. Com gentileza, ele molhou a ponta de uma toalha desbotada em cachaça e passou sobre minha ferida. Não pude deixar de soltar um gemido, mas acrescentei um “viu, você consegue ser delicado” entre uma respiração cortada pela dor. Isso pareceu divertir ele, afinal eu vi um esboço de um sorriso. Por algum motivo, estávamos sussurrando, como se estivéssemos contando os segredos mais sujos um do outro.
“Pronto. Acho que aguenta até a gente sair desse inferno e eu... te levar pra um hospital”. – Uau, ele realmente se importava tanto assim comigo? Ele cuidou de mim, cuidou do meu machucado. Agora era minha vez.
“Sua vez... vem cá” – ele se assustou um pouco, mas não reagiu. Segurei seu rosto com uma das mãos e, com a outra, limpei o sangue seco de sua bochecha. Novamente, ele pareceu se deixar levar pelo toque. Ele fechou os olhos e eu senti sua respiração mudando, ficando mais acelerada e sua pulsação mais forte. Não foi difícil juntar as peças: um homem que a três anos não vê a esposa... mas será que ele não via mulher nenhuma? Como pode apenas um toque conseguir desligá-lo? Enfim, observei o rosto dele e nossa, ele era bonito. Ele tinha um pouco mais de 30 anos, mas mesmo assim parecia jovem. Seus olhos estavam cansados e haviam olheiras vermelhas na pele de baixo, seus lábios estavam ressecados, mas pareciam macios. O que ele estava fazendo comigo? Eu o conhecia a poucas horas, mas sentia uma necessidade gigante de tê-lo pra mim, só pra mim... de sentir sua pele na minha, seus lábios no meu, ele preenchendo todo o meu interior. Notei que minha respiração também estava acelerada. E agora, estávamos nos encarando. E dessa vez não havia nada e nem ninguém para me impedir.
Sem pensar muito, apenas o beijei. Senti seus lábios quentes nos meus. De repente, uma mão na minha nuca me puxou para aprofundar mais o ato que começamos. Nossas línguas dançavam em sincronia e nossos batimentos cardíacos estavam ritmados. Por falta de ar, nos afastamos e pude ver em seus olhos duvidas sobre o que aconteceu e culpa...
Culpa por um pecado que não era dele. Era meu. Novamente, a culpa era minha. Mas dessa vez, eu não me importava nem um pouco. Aceitaria carregar essa culpa até meu túmulo.
“Desculpa... Desculpa, eu não devia ter te beijado, você é casado, está atrás da sua esposa, está tudo tão louco, não sei o que deu em mim, desc... – fui silenciada por outro beijo. Dessa vez, liderado por ele.
“Não se preocupe, tá tudo bem”.
“Porque você age assim?” – novamente a pergunta escapando sem eu nem mesmo pensar sobre.
“Assim... como?” – confuso... olhar de pateta... acho que estou começando a me apaixonar por homens patetas.
“Assim... como se nunca houvesse sido tocado antes. Basta eu deslizar minhas mãos sobre seu rosto, que você desliga, se entrega em seu mundo de pensamentos.” – encostei nele para comprovar meu ponto, só que dessa vez, ele manteve os olhos bem abertos, me olhando. Ele pegou meu pulso e trouxe até sua boca, deixando um beijo sobre ele.
“Acho que eu não estou acostumado com isso... ser cuidado... ser... amado”.
Isso partiu meu coração. Três anos sem uma esposa, sabe-se lá como ele se aliviava ou com quem. Mary definitivamente não cativava ele, então...
“Porque eu? Porque você age assim só comigo?”
“Não sei... você me da paz, perto de você eu sinto que posso ser eu mesmo. Sinto que não há julgamentos e nem ressentimentos. Não há medo e nem dor. Só existe você na minha frente, sem neblina e sem monstros. Se esse é meu inferno pessoal... acho que você é meu paraíso.” – ele declarou isso numa tacada só, me pegou desprevenida. Ainda conseguia ver culpa pelos sentimentos confusos dele, por sua esposa e todo o resto. Mas era um sentimento sincero.
“James...” – puxei ele para meu colo, o fiz deitar nas minhas coxas e ele... chorou. Chorou pela morte de sua esposa Maria, chorou por Mary, chorou por mim, chorou por cada maldito bicho dessa cidade. Ele chorou e eu só fiquei ali, cuidando dele, passando a mão por seus fios loiros e dizendo que tudo ia ficar bem. Ele me confessou seus pecados sombrios e eu o confessei os meus. Ali selamos um pacto, que independente do que acontecesse naquela cidade, se encontrássemos nossos parentes vivos ou não, iríamos embora juntos. Iríamos viver juntos, cada um quebrado a sua maneira tentando se concertar.
Passamos a noite juntos, no quarto dele. Ele confessou que não conseguia dormir bem a tempos e me pediu para deitar com ele. Assim o fiz. Ele me abraçou, como se eu fosse fugir. Ele me segurou em seus braços me impedindo de fugir. E ele dormiu. Dormiu, roncou e sonhou com sua Maria. Assim como eu, que dormi em paz pela primeira vez em 3 anos e sonhei com Marina. E meu sonhos mais foi uma revelação. A culpa não foi minha. Não foi eu quem causou o acidente. Foi Marina. Ela havia inventado de roubar uma medalha de um hospital. Uma medalha assombrada. Ela mecheu no carro também, disse que a corrente de ventoinha havia estourado e resolveu trocar sozinha, sem nenhum conhecimento técnico de mecânica. Eu tentei nos salvar, mas ela tentou se matar. Ela ainda disse isso pra mim, que desejava morrer. Que queria morrer e me deixar viver uma vida livre. Um flash surgiu em minha mente, revelando que enquanto estávamos de ponta cabeça no carro, ela me contou um segredo: ele virou o volante para o abismo, ela tentou se matar e me levar junto, mas que estava feliz que eu estava viva. Assim ela morreu.
Acordei suada e tremendo. O sol entrava pela janela quebrada. James ainda estava abraçado comigo. Mary estava na porta do nosso quarto olhando com dúvidas sobre o que tava acontecendo. Ela não se parecia em nada com Marina. O quarto estava diferente. Estava normal, sem aquele cheiro podre e sem o sangue enegrecido de alguém que ali morreu.
Foi então que eu entendi. A culpa era um pecado. Um pecado que atraia pessoas para Silent Hill para morrer. Ou se curar, como no meu caso. Eu entendi que minha culpa não era pecado. Agora eu precisava ajudar James a entender o mesmo. Precisava mostrar a ele que havia uma saída.
Ele precisava de mim.
E eu dele.
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boteconomianews · 2 months ago
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Cinco livros de autoras negras
Hoje é o dia de Zumbi dos Palmares e Dia da Consciência Negra. E pela primeira vez é feriado nacional no Brasil.
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O primeiro é esse arrebatador “We Are Not Here” da autora Jenny Torres Sanches.
O livro narra essa fuga de três adolescente guatemaltecos. Ele é divido em 5 partes e narrado em duas vozes, a do Pulga e da Pequeña, com palavras em inglês e espanhol durante a narração e diálogos. Não há propriamente um final feliz neste livro. Ele é arrasador e mostra um mínimo do que os imigrantes que estão fugindo da pobreza de suas cidades ou do narcotráfico passam durante e depois da travessia para chegarem sã e salvos nos Estados Unidos. Alguns não conseguem nem passar pela La Bestia. Outros morrem pela desidratação que o trajeto causa por falta de água, comida e destrato da polícia americana quando eles ficam presos nos centros de detenções. Alguns são deportados, outros conseguem o tal “sonho americano” por ter parentes, amigos ou conhecidos no país.
"
Para todas as crianças, o quais os nomes nós não conhecemos, de quem a existência e o desaparecimento tem sido escondido. E as crianças cujo os nomes virão depois da publicação desse livro, os quais também sofreram e morreram sob a custódia dos Estados Unidos enquanto buscavam por refúgio. Para as crianças perdidas ao longo da viagem, as que foram pegas neste intermédio, guiadas apenas pela frágil esperança, os quais os fantasmas vagueiam pelas fronteiras e desertos dos países que falharam com eles.
Vocês mereciam muito mais do que isso. Vocês mereciam ajuda.
Vocês mereciam sonhar. Vocês mereciam viver.
E para toda a minha gente, que lutam tanto, que são pura vida, esperança e beleza.”
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Dear Martin, da autora Nic Stone, é um poderoso romance juvenil que aborda o racismo e a desigualdade social através da perspectiva de Justyce McAllister, um jovem negro de Atlanta que tenta equilibrar suas ambições acadêmicas com a dura realidade do preconceito. Após ser vítima de uma abordagem policial violenta, Justyce começa a escrever cartas para Martin Luther King Jr., buscando respostas para as questões sobre justiça e identidade que o afligem.
O livro é uma reflexão impactante sobre a violência policial, o racismo sistêmico e as complexidades da vida de um jovem negro nos Estados Unidos. Com uma escrita direta e envolvente, Nic Stone oferece uma obra que provoca reflexão e empatia, destacando as lutas e os desafios diários enfrentados por muitos jovens em contextos de opressão racial.
“Frankly, I’m not real sure what to feel. Never thought I’d be in this kind of situation. There was this kid, Shemar Carson…black dude, my age, shot and killed in Nevada by this white cop back in June. The details are hazy since there weren’t any witnesses, but what’s clear is this cop shot an unarmed kid. Four times”
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Hurricane Summer* da Asha Bromfield, é um romance poderoso que narra a história de Tilla, uma adolescente que passa suas férias de verão na Jamaica com seu pai, a quem não conhece bem. Enquanto ela tenta se conectar com ele e entender suas raízes, o furacão que dá nome ao livro também simboliza as turbulências internas que Tilla enfrenta, lidando com questões de identidade, família e a violência de um ambiente patriarcal.
A autora mistura questões de gênero, racismo e o impacto dos desastres naturais para criar uma narrativa intensa sobre autodescoberta e resistência. Com uma escrita poética e emocional, Hurricane Summer é uma obra que explora as complexidades das relações familiares e a luta pela aceitação.
“But I can’t help but feel small in this moment, like I am silently begging for their approval. Like I was excited to feel wanted. Like I needed their company the way I needed my father’s.
The idea repulses me.”
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"O Sol Também é uma Estrela", da autora Nicola Yoon, é uma história emocionante sobre amor, destino e escolhas. A trama segue dois jovens, Natasha e Daniel, cujas vidas se cruzam de forma inesperada em Nova York. Natasha é uma imigrante jamaicana que enfrenta a iminente deportação, enquanto Daniel é um jovem sonhador que aspira a ser poeta, mas se vê pressionado pelos desejos de seus pais. Ao longo de um único dia, os dois se conhecem e começam a explorar seus sentimentos, enquanto também refletem sobre o impacto das decisões que moldam suas vidas.
A obra mistura temas de identidade, cultura, e o poder do acaso, com uma narrativa sensível e tocante. Nicola Yoon utiliza uma estrutura dinâmica, alternando entre os pontos de vista dos protagonistas e de personagens secundários, o que enriquece a história e aprofunda a reflexão sobre como pequenos momentos podem mudar destinos. O livro é uma celebração da complexidade das relações humanas e da busca por pertencimento e amor, cativando o leitor até a última página.
"Somos capazes de grandes vidas. De uma grande história. Por que aceitar menos? Por que escolher a coisa pratica, a coisa corriqueira? Nós nascemos para sonhar e fazer as coisas com as quais sonhamos."
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"Chaos Theory", de Nic Stone, é um livro que aborda temas de identidade, racismo e autodescoberta, através da história de CJ, uma jovem que luta para entender sua própria vida em meio ao caos emocional e social que a cerca. Depois de sofrer uma perda pessoal devastadora, CJ se vê dividida entre o desejo de seguir um caminho mais seguro e o impulso de explorar novos horizontes.
A narrativa é profunda e intensa, explorando as complexidades das emoções adolescentes e a pressão de se encaixar em um mundo que nem sempre entende suas lutas. Nic Stone escreve com uma voz autêntica e sensível, capturando as incertezas e os dilemas de quem está tentando encontrar seu lugar no mundo. O livro oferece uma reflexão sobre a importância da autenticidade e a coragem de enfrentar os próprios medos.
“The fault chain never ceases, Walter. Yeah, life’s a whole lot of cause and effect, but every cause was an effect at some point.” It’s”
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queen-0f-death · 11 months ago
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Quanto mais você esfrega na minha cara seu novo namoro, mas eu acredito que ainda não me esqueceu.
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fi-lo-b · 1 year ago
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REVIEW: Mo Dao Zu Shi
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AVISO: Tá cheio de SPOILERS, então CUIDADO!
Vou começar esse aqui sendo bem sincera e deixando claro que já faz um bom tempo que li, portanto, a maior parte já ficou meio embaçada e perdida na minha memória. Mas vou tentar o meu melhor! MDZS é, sem uma melhor colocação, uma jornada política com certo romance. Você vai se encontrar em meio a esquemas, tramas e alguns momentos tão gays que vão te dar vontade de dar um soco na parede. Tipo, estou falando sério. A cena da declaração não sai da minha mente até hoje. Não consigo superar o fato de que o Wei Ying escolheu JUSTO aquele momento incrivelmente tenso para finalmente cuspir o que tanto estávamos esperando. O melhor nisso tudo é o "vilão", que ficou apenas de lado nessa hora e meio que incentivando tudo, como se ele próprio já estivesse de saco cheio e quisesse juntar aqueles dois de uma só vez, não importando o custo ou o que. Isso realmente me pegou demais. Agora, deixando isso de lado… MDZS também faz um trabalho incrível com toda a descrição de cenário e emoções dos personagens. A escrita foi muito bem dividida em todos os momentos e te faz conseguir sentir com clareza o quanto a autora se dedicou ao longo do caminho. Algumas pessoas podem acabar se sentindo desmotivadas ou até mesmo confusas graças a quantidade de flashbacks. Mas, por favor, não ignore ou passe apenas o olho neles. Alguns podem até parecer irrelevantes, mas no final, você vai acabar descobrindo que todos e tudo nessa história estão ali por um bom motivo. Outro ponto atrativo nessa leitura foram sem dúvidas os personagens. E não estou falando dos principais! Claro que eles são importantes e MUITO interessantes, mas eu realmente gosto de como os secundários conseguiram me fazer prender a respiração algumas vezes. Além de também terem feito a proeza de mexer demais com as minhas emoções, me fazendo querer chorar muito e começar toda uma revolução por causa deles. Acredite em mim, essa é uma verdadeira vitória. Não sou das mais emocionadas, muito menos costumo sentir muito quando não é nada relacionado aos principais, então foi bem curioso… Resumindo, é uma ótima novel que recomendo para qualquer um. Mas não como uma primeira leitura se você nunca leu nada parecido. Isso porque você pode acabar se sentindo facilmente perdido e desanimado com a quantidade de informações, os nomes de cortesia e toda a balela de cultivo com o bônus político. É preciso ter alguma paciência para essas coisas. Então é bom ter uma certa determinação ou muita dedicação se você quiser ler MDZS e ele for seu primeiro contato com esse gênero. Acho que disse tudo o que eu queria. Espero que você leia e goste!
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emmieedwards · 1 year ago
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Resenha: Perdida, de Carina Rissi
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Livro: Perdida Série: #1 - Perdida Autora: Carina Rissi Gênero: Romance de Época, Fantasia Ano de Publicação: 2013 Editora: Verus Páginas: 364 Classificação: +14
É, estou começando a achar que o amor da minha vida está mesmo a dois séculos de distância de mim! 😂
O favorito dos romances de época nacionais, Perdida é um livro indispensável para os amantes do gênero.
A história contada é a de Sofia Alonzo, uma jovem antenada do século XXI, amante das tecnologias e tudo que a evolução da ciência pode oferecer, acaba deixando o seu celular cair numa privada nojenta de um bar dando adeus a todas as engrenagens que fazem sua vida funcionar.
Que exagero… Porém, determinada comprar um novo, Sofia acorda no dia seguinte e parte em direção a loja mais próxima onde uma agradável e peculiar senhora lhe oferece um modelo único de celular garantido que Sofia terá tudo o que precisa.
Ao sair da loja e tentar ligar o aparelho, uma luz ofuscante faz com que ela tropece e acabe caindo literalmente no século XIX. Ela fica desnorteada por um segundo e então alarmada ao notar que a primeira pessoa a lhe prestar socorro é um homem sobre um cavalo usando roupas formais e um pouco antiquadas para o tempo de Sofia.
Ian Clarke, o cavalheiro, fica abismado com os trajes "estranhos" da garota mas ainda assim oferece a sua casa agora que ela fique hospedada até a lembrar de como volta para casa.
Logo, Sofia descobre através de uma mensagem no celular novo, que o pequeno aparelho causara toda aquela confusão e que se ela quisesse voltar para o seu século, teria que completar uma missão que nem mesmo ela sabia qual era.
Enquanto tenta se adaptar às formalidades, costumes e à falta de modernidade do século XIX, Sofia começa a se apegar às pessoas que ali vivem. Além disso, para seu pesar, parece que cada vez que se aproxima mais de Ian, mais perto de voltar para casa ela fica. Ou melhor, o que ela costumava a chamar de casa.
Perdida é um livro envolvente, divertido, engraçado e romântico que te faz desejar ser levada a outro século só para ter certeza se sua alma gêmea não está lá. É um livro sobre encontrar a si mesma e o lugar onde você e seu coração realmente pertence; mesmo com todas as dificuldades, o amor acaba vencendo.
A obra foi o primeiro contato que tive com um livro de romance de época anos atrás e não fiquei nem um pouco arrependida de dar uma chance; acabei me apaixonando pelo gênero e pela escrita incrível da Carina Rissi.
A série Perdida é formada por seis livros (o último ainda não foi lançado) e está muito perto de ganhar uma adaptação cinematográfica!
Ainda não leu? Tá esperando o quê para viajar no tempo e se apaixonar perdidamente por Ian Clarke?
NOTA: 🌟🌟🌟🌟🌟 + 💖 - 5/5
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*resenha escrita e publicada originalmente no skoob em 2016*
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booklovershouse · 11 months ago
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Oi oi, booklovers!
Caso ainda não tenham percebido, minhas leituras esse ano estão uma tistreza, então nem tem muita coisa pra ver 🤡
🎨| As Viagens de Amara - Kézia Garcia (4,5★)
A Kézia foi uma autora que conheci no ano passado e já li quase tudo (exceto o segundo de Cecília Vargas 🥲) apesar de que ela normalmente faz umas histórias mais ""fantasiosas"" - fadas, cidades perdidas e afins.
Como mencionei antes em algum post que não faço ideia qual é, não curto histórias com viagem no tempo pq, na maioria das vezes, não dão nenhuma explicação lógica.
Nessa história, Amara é uma cientista viciada em trabalho e que está tão concentrada em sua nova invenção (uma máquina do tempo) que nem vai passar o Natal em casa.
Ao menos é o que ela pensa, antes de testar o equipamento.
🎨| Amor e Azeitonas - Jenna Evans Welch (4★)
O último da trilogia Amor&Livros, Amor e Azeitonas, que muitos consideram o melhor, acabou ficando com 4★ pra mim - pq não achei tão incrível quanto Amor e Gelato (4,5★) nem tão ruim quanto Amor e Sorte (3,5★) ent ficou no meio termo.
Liv tem tudo de bom na vida: sua família, suas colagens, seu namorado bonitão e...um pai que abandonou a família para buscar por Atlântida. E que, de repente, começou a enviar cartões postais, depois de tantos anos.
É claro, Liv acha tudo isso ridículo.
Até que ele a chama dizendo que tem provas sobre Atlântida.
🎨| Senhora - José de Alencar (4,5★)
O primeiro clássico passado pela escola que eu realmente ✨gostei ✨
Como eu mesma disse no Skoob: "Aurélia Camargo, bonita, inteligente e rica", uma jovem carioca que está em idade para se casar, comprou um marido.
Não, você não leu errado, ela comprou mesmo.
E o pior é que o homem comprado já estava noivo de outra, mas aceitou esse casamento por causa de um dote maior - interesseiro? Talvez. Mas a história não é tão simples como vc imagina.
Eu sei que a história já tem mais de 100 anos que foi publicada, mas mesmo assim não vou dizer mais para não dar spoiler kkkkkkkk
🎨| Enfim gnt, é isso, oq vcs leram nesse mês?
Bjs e boas leiturassss <333
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letters-shelf · 8 months ago
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Resenha: A Garota no Trem - Um suspense psicológico de tirar o fôlego
A Garota no Trem, thriller publicado no Brasil em 2016, traz a narrativa de uma história que acontece na região periférica de Londres, onde acompanhamos aos poucos, a resolução do desaparecimento de Megan. O livro foi adaptado para o cinema também em 2016, sendo estrelado por Emily Blunt e dirigido por Tate Taylor. Paula Hawkins, a autora desta história, atualmente com 51 anos, ficou conhecida pelo livro “A garota no trem”. A autora britânica conta uma gama de vários livros publicados, mantendo-se no gênero de suspense e mistério, com narrativas intrincadas e densas.
Dentro do livro, acompanhamos a narrativa pela visão de três personagens principais, Rachel, uma alcoólatra, desempregada que está perdida na vida; Megan uma jovem que nunca se contenta com a vida que leva; e Anna, ex-amante e atual esposa do ex-marido de Rachel. Em uma descrição densa, a autora alterna entre presente e passado e pelos três discursos, fazendo com que o leitor entre de cabeça na vida dos personagens.
Rachel, que pega o trem todos os dias em direção à Londres, costuma fantasiar sobre a vida perfeita de um casal o qual consegue observar dos trilhos e em um dia, observa uma cena estranha. Depois, descobre que Megan, a mulher que ela observava, está desaparecida e decide começar sua própria investigação. Entre lembranças esquecidas por conta das noites de bebedeira, homens misteriosos e incontáveis mentiras, Rachel se vê presa no meio desta história.
Enquanto isso, observamos Megan nos contar como foram suas últimas semanas antes de seu desaparecimento, os detalhes que só ela sabia. Entramos na sua cabeça e na descrição de seus traumas, descobrimos sobre a morte de seu irmão, a vida que levou como prostituta e os percalços até encontrar seu atual marido, Scott. Tudo isso, sendo contado a seu terapeuta e novo amante, Kamal.
Enquanto isso, Anna só quer se livrar de Rachel, fazer com que suma da vida do marido e da filha. Anna enxerga Rachel como nada mais que um impasse para que ela e seu marido sejam realmente felizes. Tendo que morar na antiga casa do casal e cuidar da filha praticamente sozinha, tenta a todo custo convencer o marido, Tom, a deixarem aquela região e irem embora serem completos e felizes em outro lugar. A trama se desenvolve de maneira densa, com diversas pistas sobre o que aconteceu com Megan, mas deixando de lado a peça chave principal.
Na minha opinião de leitora treinada por Agatha Christie, o desfecho foi bastante previsível, mas mesmo assim, não consegui deixar de ficar impressionada e em êxtase quando a identidade do assassino de megan se confirmou. Enfim, evitando spoilers, deixo aqui minha crítica final: se você está procurando um suspense psicológico denso e cheio de emoções, mentiras e traições, esse é o livro certo. Um livro impossível de largar, mas que contém uma quantidade considerável de gatilhos, sugiro, caso for realizar a leitura pesquisar sobre isso antes de iniciar.
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sleepinbooksdaiz · 1 year ago
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🍁 CHEGOU POR AQUI
essa edição lindíssima de Orgulho e preconceito e nós duas da autora @rachellippincott que eu estava de olho desde que lançou.
E claro, comprei com o brinde lindíssimo que é este card ao lado do livro. O verso do card é a capa do livro 📕 achei fofo.
E é Rachel. Quem me acompanha já há um tempo sabe que eu adoro os livros dessa mulher. Simplesmente apaixonada por cada história e seus romances me cativam demais. Quem é fã aí de A cinco passos de você? Então, ela é a autora desse livro também.
Em breve lerei e trago resenha!! 🩷
A sinopse pra vocês:
Uma comédia romântica sáfica com viagem no tempo - da coautora best-seller do New York Times de A cinco passos de você, Todo esse tempo e Ela fica com a garota e autora de A lista da sorte
E se você encontrasse o amor da sua vida... Mas em outra vida?
Audrey Cameron perdeu o brilho. Depois de levar um fora de seu primeiro amor e ser jogada na lista de espera da faculdade de artes dos seus sonhos, ela se vê perdida e sem inspiração. Quando o rabugento sr. Montgomery, cliente fiel da mercearia de sua família, diz que pode ajudá-la a viver novas experiências e se inspirar novamente, Audrey jamais esperaria ser transportada para o ano de 1812, em plena era da Regência Britânica.
Depois da morte da mãe, Lucy Sinclair se sente sozinha e cada vez menos ouvida. Ela não esperava encontrar uma garota com trajes estranhos dizendo que vem de duzentos anos no futuro no meio da propriedade de sua família. Mas, no fim das contas, foi uma ótima distração, afinal esse acontecimento aparentemente impossível e inusitado é bem melhor do que ser cortejada pelo homem desinteressante com quem seu pai espera que ela se case.
Enquanto as duas tentam entender o que aconteceu e como mandar Audrey de volta para casa, uma faísca surge de onde menos se esperava. Ao fazerem de tudo para se apaixonar por seus pretendentes e viver o “felizes para sempre” que todos esperam delas, Audrey e Lucy descobrem que não precisam se esforçar para se apaixonar uma pela outra.
Mas será que uma história de amor inesperada pode sobreviver a circunstâncias impossíveis?
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