#⠀✶⠀﹒⠀𝐭𝐡𝐞 𝐩𝐫𝐢𝐧𝐜𝐞⠀⠀:⠀⠀development.
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princetwo · 3 months ago
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𝑻𝑨𝑺𝑲 𝑰𝑰. ⸻ 𝑜 𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑖𝑟𝑜 𝑟𝑖𝑡𝑢𝑎𝑙 : escolhido pelo abismo
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ㅤㅤㅤVincent sabia que não existiam deuses fracos — deuses era deuses, e jamais poderiam ser comparados a qualquer humano que fosse. Independente do que o escolhesse, teria o poder que precisava. No entanto, a parte vaidosa e ambiciosa o fazia desejar que fosse escolhido por um com um nome de respeito, com um papel importante que todos conhecessem. Ao menos os princípios precisavam ser alinhados para que não houvesse estranhezas. Mas ao inalar a fumaça do sacro cardo no primeiro ritual, a única coisa que passava por sua cabeça era o medo de não ser escolhido por nenhum deles. O medo de sentirem que ele queria mais do que merecia ter. Nada lhe parecia mais humilhante do que isso, e a ideia era aterrorizante.
ㅤㅤㅤQuando abriu os olhos, tudo que viu foi uma escuridão tão absoluta e silenciosa que nem mesmo ele parecia existir naquela realidade, como se tivesse sido jogado no abismo que era o vácuo do espaço. Mas então, tornou-se consciente dos próprios pulmões, cuja respiração saiu rasgando como se emergisse da água congelante depois de muito tempo afundado, um frio de doer as entranhas o atingindo como lanças. A respiração saiu alta e ofegante, mas Vincent logo se esforçou para colocá-la sob controle de novo, pois não estava sozinho — sabia disso porque sentia a presença o analisando.
ㅤㅤㅤ“Eu vejo que você tem algo obscuro dentro de você.” Ele ouviu uma voz dizer. De cenho franzido, o loiro virou a cabeça rapidamente para os lados, tentando identificar de onde vinha a voz, mas ela parecia vir de todas as direções ao mesmo tempo, como um ser onipresente. Talvez a intenção fosse justamente não ser visto. Talvez porque fosse um deus imponente, algo com o perfil que ele desejava.
ㅤㅤㅤ“Todo mundo tem um pouco.” O respondeu com convicção, sendo meio petulante. Não gostava de como se sentia analisado, embora fosse justo, já que também estava o analisando em retribuição. O silêncio se estendeu por um longo instante, como se ele estivesse ponderando se a resposta era boa o suficiente, o que o deixava inquieto. Sustentou a pose mesmo assim, porque queria se mostrar paciente e controlado. Foi então que uma luz dourada brilhou forte vindo do chão, obrigando-o a fechar os olhos com força por um momento, porque aquilo era uma agressão as suas vistas depois de ter se acostumado com a escuridão. “O que é isso?!” Mas quando os olhos se acostumaram com a luz, percebeu que era um papiro. Cintilante, mas ainda assim um.
ㅤㅤㅤ“Algo que você vai precisar ter consigo.” Vincent abaixou-se para pegá-lo, mas seus dedos atravessaram o papel como se ele não fosse algo físico. Não podia ver os lábios do deus que falava com ele, mas jurava ter ouvido o soltar de um ar que parecia uma risadinha. “...metaforicamente, eu quis dizer.”
ㅤㅤㅤ“Ha. Há. Muito engraçado.” O sarcasmo pesava na voz. Vincent não sabia que deuses tinham senso de humor, mas pelo visto quando o assunto era rir dele qualquer coisa parecia virar uma possibilidade.
ㅤㅤㅤ“As coisas destinadas a você virão através dos sonhos, mas instruções como essas serão psicografadas para que tenha acesso no seu mundo.”
ㅤㅤㅤJá que não podia pegar, resolveu passar os olhos rapidamente pelo texto para entender o porquê precisaria das tais instruções. Conseguiu identificar exatamente o que era: o livro dos mortos. Viu a figura de Anúbis pesando o coração de alguém na balança de Maat. Conhecia a importância do livro nas história egípcias, embora nunca tivesse lido o texto em si de algum deles. Por que precisaria? Sequer sabia se era algo que podia ser encontrado! Certamente não sabia ler egípcio, mas por algum motivo não sentia dificuldade alguma, como se tivesse adquirido a habilidade. Viu a coleção solta de textos com feitiços mágicos destinados a auxiliar a jornada dos mortos através do submundo. Amuletos e rituais de proteção. As coisas sobre a travessia do Duat, os perigos, os enigmas, as divindades hostis e os testes que encontraria quando tivesse que passar pelos guardiões. Morrer e ter que passar por tudo aquilo parecia horrivelmente trabalhoso... Mesmo assim, ainda não fazia sentido, já que não estava morto. A menos, é claro, que ele estivesse. “Isso quer dizer que…?”
ㅤㅤㅤ“Você não está morto. Mas precisará ser digno para me representar e sobreviver cada vez que for convocado ao submundo, é claro. Terá que a lidar com o poder em suas mãos. E eu particularmente tenho grandes expectativas em relação a você.” Certo, o discurso fez Vincent considerar abortar o contrato, recusar o deus ou o que fosse necessário para sair do buraco que tinha se metido. Não foi até ali para morrer, e aquele discurso mais lhe parecia uma promessa que ele se foderia muito enquanto hospedasse o deus que o escolheu. E no entanto, mesmo sendo estupidez, a ideia não deixava de lhe parecer interessante. Algo em Vincent sempre se atraia para o caos, a autodestruição e a ambição. Sendo honesto, saber que um deus tinha grandes expectativas sobre ele também o tentava. Talvez de fato fosse alguém capaz, já que aquele ser grandioso parecia enxergar sua alma. Entre todas as pessoas, tinha expectativas nele. No segundo príncipe. Vincent engoliu em seco, mas continuou querendo ouvi-lo. Então, a voz continuou: “Seu coração é a coisa mais imunda e pesada que eu já vi. Se estivesse morto, jamais passaria na balança, a menos que arrumasse um método ardiloso para burlar isso. No entanto, tem uma cabeça forte. É adequado para me servir e representar.” Dessa vez, a voz não parecia vir de todas as direções, mas de sua frente, se aproximando como uma serpente. Vincent quase deu um passo para trás, mas firmou as pernas no chão. Não poderia voltar sem um deus para hospedar. Preferia a morte do que essa possibilidade humilhante. “Você carregará minha glória, mas também todo o fardo que acompanha meu nome: Anúbis.”
ㅤㅤㅤFoi então que a escuridão o engoliu novamente, a névoa negra entrando por sua garganta e o afogando de volta para a realidade. Com a mão ao redor da própria garganta, ainda sentia a coisa pavorosa dentro de si, viva como nunca, tornando difícil voltar a respirar. Sentia o parasita poderoso a quem tinha entregado seu corpo marcando sua presença. Ao seu redor, ninguém parecia assustado, e Vincent decidiu fingir que também não estava, mas temia pelo que o aguardava; pelas coisas que iria encontrar em seus sonhos.
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princetwo · 2 months ago
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✶ ﹒ 𝒑𝒐𝒊𝒏𝒕 𝒐𝒇 𝒗𝒊𝒆𝒘 ⸻ 𝑒ℎ 𝑜 𝒕𝒊𝒈𝒓𝒂𝒐 𝑔𝑎𝑡𝑖𝑛ℎ𝑎, 𝑐𝑎𝑐𝑎𝑑𝑜𝑟 𝑑𝑒 𝑡𝑐ℎ𝑢𝑐ℎ𝑢𝑞𝑢𝑖𝑛ℎ𝑎 ( @aldanrae ) ft. @tadhgbarakat
ㅤㅤㅤSe os olhos azuis tivessem a capacidade de perfurar só pela força do ódio, Tadhg e a mulher que falava com ele já estariam mortos. Vincent provavelmente deveria parar de encará-los a distância como se fossem dois plebeus fedidos no meio de uma festa particular onde somente os nobres são bem vindos, quase torcendo o nariz de tanto desgosto, mas não podia evitar. Existe uma linha invisível que demarca o espaço pessoal de cada um que somente os íntimos podem cruzar, e aquela garota parecia fingir que não a enxergava desde que se aproximou de Tadhg para abordá-lo. Estava a menos de 1 metro de distância dele, o que não era exatamente inapropriado ainda, mas com certeza era inaceitável.
ㅤㅤㅤTalvez não estivesse tão incomodado se seus ouvidos não tivessem captado a conversa dela com a amiga momentos atrás, contando sobre as aventuras imorais que viveram juntos como se fossem amantes há muito tempo, com raízes muito mais antigas que a mudinha ridícula que tinha acabado de plantar nele. Por que nunca ouviu falar dela? Que tipo de conexão tinham? Será que ele também a seduziu com seus poemas? Parte de Vincent queria apenas analisá-lo, descobrir se ele daria qualquer abertura para que assim soubesse o que esperar futuramente. Podia lidar com isso se tornasse menos sofrido para ele mesmo, se conseguisse se preparar. Mas a outra parte, que por acaso era bem mais forte, queria apenas arrancar a orelha dele fora por ter se deitado com metade de Wülfhere. Não. As dele eram preciosas. Queria arrancar as dela.
ㅤㅤㅤMas não podia fazê-los se afastar, pois isso seria entregá-lo uma faca com a ponta mirada em seu próprio coração e então o ensinar a melhor forma de perfurá-lo. Em vez disso, enterraria o sentimento bem fundo, apagando os vestígios de sua insegurança. Era o mais lógico a se fazer, visto que já estava completamente nas mãos dele, e com certeza não queria virar um brinquedo. Talvez devesse ignorá-los e voltar à sala de aula. No entanto, a viu agir exatamente como ele — procurando desculpas para tocá-lo enquanto falava, fazendo parecer algo casual e sem nenhum interesse por trás daquela carinha inocente e angelical, mas Vincent sabia muito bem como era seu sorriso malicioso desde que a ouvir falar sobre Tadhg, e o frágil fio que o segurava enfim se partiu.
ㅤㅤㅤSem pensar, seus passos já estavam o levando em direção aos dois, a perspectiva se ajustando conforme se aproximava, com tudo ficando maior ao seu redor, embora não se sentisse pequeno e muito menos se importasse com qualquer coisa além dos dois na mira de seus olhos. Era um sentimento feroz, quase animalesco. Olhou para a garganta da mulher com uma vontade inexplicável de avançar suas garras na jugular dela, e seu aborrecimento saiu na forma do rugido de alerta que fez a atenção dos dois se voltar para ele. Viu os olhos da mulher se encherem de espanto ao avistá-lo, o que era um pouco ofensivo, mas também muito satisfatório, porque a fez gritar e sair correndo para longe, se afastando também de Tadhg.
ㅤㅤㅤSe desfez da postura de caçador num instante, se deitando no chão de patas cruzadas com graça e tamanha despreocupação que parecia até estar zombando do desespero da pobre mulher, agindo como se nunca tivesse outra intenção que não a de espantá-la para longe. O porquê havia virado uma fera era um mistério, mas a sensação era profundamente libertadora, como se enfim pudesse ter colocado algo para fora depois de muito tempo sufocando. Tigres não sorriam, mas aquele parecia até achar graça da situação, assistindo a changeling correr com uma estranha satisfação.
SUA FORMA ANIMAL É O TIGRE. O maior felino do mundo simboliza força, beleza e confiança. No entanto, em algumas culturas simboliza a inveja, o orgulho, o perigo e a crueldade. Ambos os lados representam Vincent muito bem, com sua complexidade e intensidade. Além disso, curiosamente existe um livro onde um príncipe indiano que é amaldiçoado a virar um tigre chamado ‘A Maldição do Tigre’, o que pode ter sido uma inspiração fortíssima pra eu ter escolhido esse animal, assim como bonde do tigrão e resenha do arrocha, mas por incrível que pareça eu simplesmente vi a foto de um tigre e pensei “pô, mas é A CARA do Vincent né, tem até o bigodinho…” | veja o Tadhg após isso clicando aqui
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princetwo · 20 days ago
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𝒑𝒐𝒊𝒏𝒕 𝒐𝒇 𝒗𝒊𝒆𝒘 ⸻ 𝑎 𝒍𝒐𝒔𝒔 𝑖𝑛 𝑡ℎ𝑒 𝒇𝒂𝒎𝒊𝒍𝒚. ( at the funeral )
O mausoléu construído para abrigar a família real era imponente, mas em nada aliviava o peso daquela morte.
Vincent sempre pensou que esbanjaria felicidade quando esse momento chegasse, mas tudo o que sentia era uma sensação estranha que nem conseguia nomear. Nutria muito ódio pela Imperatriz, mas ela era inegavelmente um retrato dele mesmo. Os dois eram mais parecidos do que gostavam de admitir, e frequentemente ouvia comentários sobre como eles pareciam mãe e filho, quando percebiam o quanto suas personalidades eram semelhantes. Arrogantes, invejosos e ambiciosos. Vincent não sabia de quem havia puxado tamanha beleza, mas tinha certeza que a personalidade não foi de nenhum dos genitores, mas sim dela — Meritaten, que agora jazia morta num caixão de madeira bem polida.
A odiando ou não, se acostumou a presença dela em sua vida, com o olhar sempre em cima dele, mesmo que apenas para atormentá-lo despejando suas críticas ácidas, apontando cada um dos erros que cometia. A Imperatriz via os filhos da concubina como uma ofensa pessoal, e Vincent entendia muito bem o motivo, pois se sentiria do mesmo jeito se estivesse no lugar dela, mas odiava a injustiça de ser o alvo no qual ela descontava suas frustrações. Os anos que viveram juntos foram complicados, sempre com uma guerra fria que levava um a atacar o outro em qualquer oportunidade. De certa forma, foi ela quem o ensinou a não deixar ninguém pisar em cima dele.
Nunca gostou dela. Ainda assim, estava ali. Completamente vestido de preto, embora odiasse o visual mórbido e sem cores. Mexia nos anéis em seus dedos com uma inquietação discreta, brincando com um dos muitos anéis que roubou das coisas dela para guardar como lembrança. Tinha certeza que ela o xingaria por isso, onde quer que estivesse.
Não estava feliz, mas tampouco estava triste como as irmãs. Sendo o hospedeiro do deus da morte, sabia muito bem que ela não significava o fim. Contudo, mais do que com a morte, se preocupava com o que ela significava: a facilidade assustadora que o bastardo de Uthdon teve para alcançar e matar um membro da família real, que poderia muito bem ser qualquer outro deles, na frente de todo mundo. E se acontecesse novamente? Ou melhor: quando aconteceria novamente? Porque aconteceria, é claro, e sua magia ainda andava muito quebrada para ter alguma capacidade de evitar o pior com ele e qualquer um dos irmãos. Não gostava do que aquela morte significava para a imagem dos Essaex, de como mostrava aos outros que eles eram o lado que saíam perdendo; que podiam ser atingidos, quando o que mais prezava era parecer perfeito e intocável. Se não tivesse sido dessa forma, talvez estivesse satisfeito, mas aquela morte respingou sobre todos e deixou uma mancha impossível de limpar, o que era inaceitável para Vincent.
Antes do caixão ser fechado, o Príncipe arrumou uma mecha do cabelo de Meritaten que saiu do lugar e colocou discretamente uma pena de galinha entre os lírios ao redor do corpo dela. Queria irritá-la — que ela fosse atrás dele quando ele fosse ao submundo ou aparecesse em seus sonhos, para que assim a recebesse com um de seus sorrisos cínicos brilhantes que faria ela querer desfazê-lo com um soco, como o lampejo do que deixou escapar ao se despedir dela no caixão.
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princetwo · 5 months ago
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✧ 𝐓𝐀𝐒𝐊 𝟏ㅤ⸻ㅤ𝐎 𝐈𝐍𝐓𝐄𝐑𝐑𝐎𝐆𝐀𝐓𝐎𝐑𝐈𝐎ㅤ⊹ ₊
Vincent correu os olhos pelas paredes rochosas da sala com uma expressão de nojo, desconfortável com a imundice do lugar não por algo que podia ver, mas por saber que estavam recebendo changelings no mesmo local. Que desrespeito com a realeza! Com o queixo erguido do jeito naturalmente arrogante, o príncipe cruzou as pernas ao se sentar na cadeira, não muito interessado em colaborar com a investigação sobre um incêndio. Oras, como ele poderia ajudar em algo se sequer estava presente?
“Posso fumar aqui?”, perguntou ao interrogador, que reagiu a pergunta inesperada com um levantar de uma das sobrancelhas. “Eu prefiro que não.” E Vincent, que não estava esperando pela negação, soltou um ar muito insatisfeito pela boca, a expressão se inundando com amargura para retrucar: “Certo, isso é uma prisão então. Sorte sua que estamos no subsolo e não no último andar, porque já que é assim eu deveria me jogar pela janela para agilizar seu trabalho de destruir minha vida!”
O interrogador revirou os olhos, desacreditado com tamanho drama. Estava acostumado a lidar com os mimados da nobreza, mas o príncipe conseguia se superar em todos os níveis. Iria considerar pedir um aumento a seus superiores mais tarde.
“Onde você estava no momento em que o incêndio começou?”
Vincent ergueu uma sobrancelha, como se achasse a pergunta um desperdício de tempo — o que ele realmente achava, se quisessem mesmo saber a opinião dele a respeito daquele teatrinho. Deveria haver uma investigação, é claro, mas chamar o príncipe para ser interrogado era um insulto.
“Não me lembro.”, respondeu o loiro, simplesmente. “Mas onde mais eu poderia estar? Dormindo. Com alguma dama ou qualquer coisa assim. Vagando pela biblioteca, talvez… Não é como se eu pudesse ir pra muito longe daqui, não ��?” O interrogador não se abalou com o tom meio atravessado na resposta do príncipe. Ele anotou algo na caderneta em suas mãos e lançou a próxima pergunta com a mesma calma: “Você notou algo incomum ou fora do lugar antes do incêndio, seja no comportamento de outras pessoas ou no castelo de Wülfhere?” O loiro deu de ombros, indiferente, e respondeu: “Nada que possa ter a ver com os acontecidos.”
“Você notou algum dos dragões agindo estranho no dia do incêndio?” A pergunta foi tão inútil e desnecessária que Vincent preferiu se ocupar em cutucar uma lasca de madeira se soltando da mesa do interrogador, pois julgou que valia mais de sua atenção. “Sei lá. Não são sempre estranhos por natureza?” Dragões não eram basicamente demônios voadores? Vincent não tinha muito contato com dragões, mas não ousaria confiar em algum deles.
“Você teve algum sonho ou pressentimento estranho antes de saber do incêndio?” A pergunta o desperta da distração, deixando-o pensativo por um momento, como se tentasse resgatar algo no fundo da mente. “De estranho? Bem… Eu sonhei que Kieran estava usando um vestido meio provocante da Narcissa. Foi traumatizante.” O príncipe fez uma careta, encolhendo os ombros com a lembrança. “Como era o vestido?”, o interrogador perguntou, de cenho franzido. Vincent fechou a cara, mudando da água pro vinho com o interesse inesperado do coroa. “Irrelevante. Mais alguma pergunta inapropriada sobre minha família ou pretende continuar o interrogatório?”
O homem limpou a garganta, voltando a olhar para os papeis com suas anotações. “Você acha que o incêndio foi realmente um acidente, ou acredita que pode ter sido provocado por alguém? Quem se beneficiaria disso?”
“Não acho que foi um acidente, mas não dá pra apontar um culpado em específico. Há um traidor no exército, claramente.” Vincent começou a tamborilar os dedos na mesa, não com impaciência, mas sim pelo incômodo com a falta de respostas sobre o assunto.
“Na sua opinião, quem estaria mais interessado no desaparecimento do Cálice dos Sonhos e na interrupção do acesso ao Sonhār?” Para Vincent, só havia uma resposta para isso: “Uthdon, é claro. Talvez tenham se unido com alguns changelings. Algum tipo de revolução secreta liderada por uma minoria insatisfeita com o sistema, talvez?” O interrogador ergueu as sobrancelhas, surpreso que alguém mimado e imprestável como Vincent aparentemente havia realmente pensado no assunto, já que tinha a teoria na ponta da língua. “Qual o problema do sistema?” Secretamente, o interrogador só queria ouvir Vincent admitir os próprios privilégios e, pela primeira vez, reconhecer a desigualdade como parte do problema. Mas em vez de atender as expectativas, o loiro abriu um sorriso largo, os olhos com aquele brilho caótico, e disse: “Quase se bate demais num cachorro, é esperado que ele se revolte.”
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princetwo · 2 months ago
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✶ ﹒ 𝒑𝒐𝒊𝒏𝒕 𝒐𝒇 𝒗𝒊𝒆𝒘 ⸻ 𝑡ℎ𝑒𝑟𝑒 𝑖𝑠 𝑠𝑜𝑚𝑒𝑡ℎ𝑖𝑛𝑔 𝒘𝒓𝒐𝒏𝒈 𝑤𝑖𝑡ℎ 𝑚𝑒 .
ㅤㅤㅤVincent despertou em um lugar que definitivamente não era seu quarto. A escuridão que o engolia era como um buraco negro, o ar tomado por um frio lancinante, a atmosfera densa comprimindo o ar em seus pulmões. Era o abismo ameaçando afogá-lo no vazio eterno. A mesma sensação que já sentiu inúmeras vezes, mas que nunca iria se acostumar por completo. Ao se levantar, ele leva a mão à garganta e a esfrega como se a sensação fosse apenas um colarinho apertado, mas não há nenhum alívio. Muito pelo contrário: quanto mais respira, menos ar parece ter. É inquietante saber que mesmo sem poder ver ou ouvir qualquer sinal de vida além dele, não está sozinho. Naquele lugar, nunca está. 
ㅤㅤㅤEle ignora a sensação e caminha em direção ao único feixe de luz que consegue ver, um brilho tão fraco que quase passa despercebido. Cada passo parece exigir mais forças para continuar, tornando o ritmo cada vez mais lento. A sensação é que há uma energia tentando segurá-lo para que não prossiga, o que só lhe dá mais certeza que não deve ceder à ela.
ㅤㅤㅤQuando se ajoelha na beira do lago e se inclina para observar as águas, é o brilho da lua bem no fundo dela que chama sua atenção, porque não há nenhuma no céu acima dele. Ver o corvo passar voando na frente da lua o faz franzir o cenho, mas quando seus olhos se acostumam melhor, ele prende a respiração ao reparar no próprio reflexo nas águas — uma versão corrompida dele, misturada com o ser a quem acidentalmente se prendeu numa das idas ao submundo. Quase não há mais Vincent, porque até o rosto já começou a ser tomado pela névoa negra viva sob sua pele, transformando-o numa coisa que nem parece mais um ser humano.
ㅤㅤㅤAquela coisa já o atormenta faz tempo, sempre o incomodando aqui e ali, mas nunca pareceu tão forte, e o desespero faz seu coração parar por um instante, levando-o a cravar as unhas nas bochechas para tentar arrancá-la, ou ao menos impedir que se espalhe. “Merda, merda, merda” Mas de nada adianta, e a força invisível da escuridão só parece aumentar, puxando-o para trás. Foi então que entendeu que aquilo estava tentando afastá-lo da água — ou talvez da lua abaixo dela. Sem hesitar, ele mergulha no lago, nadando em direção a ela para fugir do que quer que quisesse prendê-lo ali.
ㅤㅤㅤOs pulmões pareciam prestes a implodir com a pressão da água, e a queimação o fez abrir os olhos com um grito estrangulado. Estava de volta ao quarto, com o rosto coberto de suor frio, os lençóis encharcados e embolados ao redor do corpo. Ele ergue as mãos e vê as pontas dos dedos tomadas pela névoa negra que está lentamente se espalhando. Não foi apenas um pesadelo. O pânico que se forma na garganta é engolido e sufocado para não o atrapalhar, e ele se levanta da cama às pressas para voar em direção a escrivaninha, derrubando vários dos objetos sobre ela quando busca por seu pincel e a adaga em meio a bagunça.
ㅤㅤㅤEle sente a ardência se espalhar pela mão, ignora a aflição, larga a adaga pelo chão e usa o líquido escarlate como tinta para a ponta do pincel, misturada com o sacro cardo. Afinal, o feitiço requer sacrifício. Com o busto despido, ele começa a desenhar apressadamente os aons que ajudavam a conter a coisa por todo o corpo, alguns traços saindo imperfeitos — tanto pela pressa quanto pela tremulação nos dedos enegrecidos. Ele sente uma força vibrar ao redor e, por um instante, pensar que está funcionando, mas então sente a coisa dentro dele reagir, uma resistência feroz ameaçando despedaçá-lo, fazendo-o se dobrar com a dor nas entranhas. Nunca é confortável, mas definitivamente não devia ser desse jeito. Talvez seja porque não fez direito. Ele respira fundo, ignora todos os cenários ruins que vieram como uma avalanche em sua mente e repete o desenho, tomando mais cuidado dessa vez para cada linha sair perfeita. “Funciona, por favor…”, suplica ao vento num murmúrio, mas sente a mesma dor, a mesma resistência ameaçando rasgá-lo no meio. Ignora novamente e repente tantas vezes que, em alguma delas, a sombra para de se espalhar, mas não some da ponta dos dedos, como se agora aquilo fosse insuficiente para fazê-la retroceder.
ㅤㅤㅤO Príncipe limpa o suor na testa com as costas da mão, afastando os fios úmidos grudados nela. Sabe que não pode parar, pois tem que dar um jeito naquilo se quiser continuar a seguir sua vida normalmente. Tenta um feitiço de cura e um que possa disfarçar a mancha com uma ilusão, mas ambos são ineficientes e fazem pouca diferença, mesmo com as tentativas incessantes, uma atrás da outra. A frustração começa a se converter numa raiva fervente, e, quando finalmente chega ao limite, Vincent atira o pincel com toda a força para o outro lado do quarto, fazendo o objeto quicar e rolar pelo chão até sumir de vista. Pensa que talvez esteja enfraquecido pela falta da pira sagrada, que talvez tenha esgotado sua energia no feitiço anterior, que talvez a coisa dentro dele esteja o atrapalhando. Nenhuma opção parece boa. Nada está bem, mas quando ele para de frente ao espelho e vê a própria imagem, só consegue agradecer por seu rosto ainda estar preservado, diferente daquela visão horrível. Então, procura as luvas brancas no fundo do armário para cobrir as manchas e poder fingir que não havia nada errado consigo. Afinal, sempre prezou por manter as aparências, e agora não seria diferente.
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